Alternativas para a educação

No fim de julho, foi divulgado na Tribuna de Minas o resultado dos estudos do Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (Proeb), que revelou que menos de 5% dos alunos saem do ensino médio com o nível de habilidade em matemática desejado. E o dado alarmante de que, quanto maior a escolaridade, menor é o número de estudantes daquele nível que têm a habilidade necessária: na rede estadual, no 5º ano do fundamental, aproximadamente 51% dos estudantes estão no nível recomendado; no 9º ano do fundamental, aproximadamente 20%, e no 3º do ensino médio, pouco mais de 7%. Isso é sintomático, revela que o ensino médio precisa de reforma, pois da forma atual, quanto mais se estuda menos se sabe.

Alternativas

Um modelo alternativo é o da famosa Escola da Ponte, em Portugal, que compõe o ensino público mas não se parece com as outras escolas: não há turmas, provas, disciplinas, aulas nem professores, desde a reforma em 1976. A descrição que farei é de acordo com o que li escrito pelo Centro de Referências em Educação Integral, uma organização brasileira.

Os estudantes de diferentes idades se organizam autonomamente em torno de seus interesses comuns e desenvolvem projetos de pesquisa. Qualquer aluno pode acessar qualquer funcionário da escola quando quiser, e mesmo os pais, e escolhe um destes como tutor para acompanhá-lo. O papel do tutor é, conjuntamente com o tutorado, avaliar se o estudante está satisfeito com o que alcançou, se alcançou o objetivo traçado, e se ficou alguma dúvida no percurso. A necessidade de tutoria vai diminuindo progressivamente conforme o aluno vai ficando na escola. Assim, a individualidade de cada um é respeitada, ao invés de apagada à força como meu ensino médio. Ao invés de competição, solidariedade, colaboração. Ao invés de obediência, liberdade.

Outro modelo possível é o da Finlândia, menos radical, mas aplicado a 70% do sistema de ensino do país, que é o primeiro colocado do PISA (um programa internacional de avaliação educacional). As aulas não são por disciplina, mas por tema, elaboradas em conjunto por professores de diversas disciplinas, como conta o site Rescola: “Ecossistema Polar Ártico” foi elaborada por professores de Biologia, Química, Geografia e Matemática. A aula “Primeira Guerra Mundial”, pelos de História, Geografia, Línguas Estrangeiras e Física. Conforme conta o CADEC, uma empresa brasileira que estudou o sistema educacional da Finlândia, em 1970 é que foi realizada essa reforma, pois antes somente 20% dos estudantes concluíam o ensino básico. Atualmente, há apenas 12 alunos fora da escola. Sim, doze indivíduos apenas. E o sistema de ensino continua a ser aperfeiçoado. Nesse outro sistema de ensino, diferente da Escola da Ponte, não há tanta autonomia para os alunos, mas já é um começo, pois o “MEC” de lá dá autonomia total à escola, que dá autonomia aos professores.

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