ENEM 2001 – Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?

Esta é uma redação escrita segundo orientação da prova do ENEM de 2001. O texto foi produzido em 05/10/2012 como parte de minha simulação da prova, para que fizesse depois a prova de fato de 2012.

Se a preservação ambiental está em conflito com o desenvolvimento, há erro no tipo ou no modelo de desenvolvimento considerado. Qualquer modelo destrutivo de desenvolvimento do tipo econômico está errado, pois a realidade física da natureza não o suporta, e então ele é um devaneio humano inaplicável ao real.

Sabe-se que o modelo atual de desenvolvimento econômico está errado, mas ao invés de trocá-lo por outro, fazem-se falsas melhorias. Com isto quero dizer que são realizados reparos em aspectos secundários deixando o problema principal intocado, apenas para expiar a culpa dos consumidores ou para desviar a atenção fixada nos produtores (como a falácia do espantalho).

Um exemplo destas coisas sem pé nem cabeça foi a padronização dos carregadores de telemóveis. Claro, muito bom que não sejam mais produzidos milhares de carregadores redundantes, mas isto supõe que os consumidores permanecerão trocando de celular, afinal, a não-padronização não seria preocupante se as pessoas mantivessem seu aparelho por muito tempo. Assim, tirou-se a atenção do enorme consumismo na área da telefonia móvel (um Nokia 2280 ou um Siemens A57, ambos com uma década de existência, desempenham todas as funções requeridas por um usuário comum) através de um falso “tudo OK agora” por causa dos carregadores.

Por isto, usar papel reciclado com selo de sei-lá-qual agência não muda nada se a pessoa usa carro ao invés de bicicleta; não usar sacola plástica não adianta se a pessoa troca muito de computador; e assim por diante. Para frear a destruição ambiental é preciso abandonar o modo de vida consumista propagado pelos EUA. Mas isto não é simples: se as pessoas são consumistas, é porquê os modos de produção as fizeram assim. Suponho que alguém que trabalhe “o dia todo” e depois assista TV pelo resto do tempo livre (propagandas de produtos) realmente não conseguirá pensar, e por isto não buscará outra forma de se satisfazer que não seja comprar coisas. Talvez uma redução na jornada de trabalho mude a forma das pessoas se divertirem.

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