ENEM 2002 – O Direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil necessita?

Esta é uma redação escrita segundo orientação da prova do ENEM de 2002. O texto foi produzido em 15/02/2016.

Um dos textos provocadores coloca o voto popular democrático como remédio contra o abuso de poder. Mas assim falando, dá-se a entender que o poder pode ser usado corretamente, e que em casos isolados algum poderoso usa-o errado. Não é verdade, o próprio poder é abusivo. Quando acabam as eleições, o cachorrinho bonitinho pedindo carinho dos pobres vira um lobo feroz: “quem manda aqui agora sou eu”!

Sim, pois quando coloca-se que um manda e outro obedece, onde está a relação de regulação prometida? Vai para o espaço! Está certo, uma democracia é menos pior que uma ditadura militar, uma monarquia, ou qualquer outro governo totalitário/absolutista, pois o governante não pode fazer só o que ele próprio quiser. Mas as pessoas a quem ele tem de prestar conta não são os eleitores.

Quem escolhe de fato os candidatos são pessoas ocultas, uma minoria com poder econômico. Tanto é que não pode-se votar em qualquer cidadão: as poucas opções disponíveis na urna[nota] são escolhidos pelos partidos, que por sua vez selecionam os candidatos com mais chances de ganhar – do contrário seria suicídio, entrar no jogo para perder. O problema todo é que quem tem mais chances de ganhar é quem consegue mais dinheiro, mais apoio dos ricos.

Pronto, está armado o tweedism, que o candidato à presidência dos EUA, Lawrence Lessig, denunciou em palestra no Rio de Janeiro em dezembro. Antigamente, escolhia-se o eleitor, para determinar um resultado favorável na votação; hoje, mais sutilmente, o controle é sobre os candidatos.

Tendo em vista toda essa farsa, o discurso de todos os textos provocativos de que votar é luta, é rebeldia, é justo, etc. simplesmente desmorona. O direito de votar não ameaça ninguém, então não muda nada! Essa “conquista” não é muito benéfica. A solução para promover transformações é transformar a realidade com as próprias mãos, não depender de enganadores. Os interesses deles são outros…

  1. Além da urna ter opções pouco representativas, o software dela não é seguro para garantir que o resultado seja legítimo. Um pesquisador da Universidade de Brasília fez um estudo, e eu resumi aqui, quer ver?

 

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