Diversidade sexual vs ‘sexo é bom’

Post adaptado por Anders Bateva a partir do original publicado em The Notes Which Do Not Fit, de 30/09/2016.

Quando ouço pessoas favoráveis-ao-sexo defenderem que “sexo é algo bom”, em resposta a certos grupos religiosos, coço minha cabeça. A mim, parece que estão usando a falácia do espantalho contra as pessoas que tentam criticar, isto é, atribuem aos religiosos uma posição que eles não defendem. Afinal, realmente existe algum grupo religioso defendendo que sexo é ruim e que nunca deve-se fazê-lo? Existe realmente muita gente da sociedade comum que discorde da afirmação “sexo é bom”? Essa militância do “não tem nada errado em fazer sexo” não estaria, por acaso, chovendo no molhado?

Acredito até que é um problema maior, com os favoráveis-ao-sexo tendo internalizado a ideia totalmente lugar-comum de que “sexo é algo bom”, e repetem isso como papagaios para mostrar à sociedade comum que eles são pessoas respeitáveis, razoáveis, progressistas; ao invés de estarem realmente tentando mudar algum valor, fazendo algum ativismo.

Sabe o que seria realmente chocante para a sociedade comum? O que seria realmente radical? Defender que aceite-se a diversidade sexual. Uma aceitação que englobe todas as orientações sexuais e gêneros, e tolere todos os comportamentos sexuais, incluindo nunca fazer sexo, desde que isso não causem dano injusto aos outros. Claro, nem todos irão concordar com o que seja “dano injusto”, o que torna a aplicação desse princípio um pouco complicada.

Note que esse princípio é neutro a respeito de sexo ser ou não algo bom; a mensagem central é “diversidade sexual” e não “sexo é bom”.

Há também um problema no lema “sexo é natural e normal, não tem nada de errado em fazê-lo”: e como ficam os assexuais? Eles são anormais e não-naturais então? Pois é a decorrência lógica do lema que as pessoas defendem. Isso gera/reflete preconceito contra pessoas que não estão fazendo nada de danoso aos outros, mas que simplesmente estão desviando da norma social. A mesma coisa se aplicaria a homossexuais celibatários.

Por tudo isto, fico com a impressão que os militantes pró-diversidade sexual muitas vezes revelam-se afundados nos próprios conceitos que procuram alterar, agindo completamente no lugar-comum, e eu diria, até mesmo de forma conservadora. O caminho para ajudar às minorias sexuais é aceitar a diversidade, não juntar-se ao coro dos comuns em dizer que sexo é algo maravilhoso.

CC0 O texto deste post de Anders Bateva está liberado sob domínio público.
Baseado no trabalho disponível no The Notes Which Do Not Fit.

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