Assexual arromântica: a identidade que me tornou mais resiliente

Autora: Sara K., em 24/06/2016. Tradução: Anders Bateva.


A um longo tempo atrás, eu acreditava que iria eventualmente terminar num relacionamento sexual/romântico, e que era apenas questão de encontrar a pessoa certa. Ao longo do tempo, eu gradualmente me dei conta de que isto a) não estava acontecendo e b) havia mais sobre não estar acontecendo do quê simplesmente não estar encontrando “a pessoa certa”.

Eu tive mais sorte do que outras pessoas, por isto nunca ter sido uma grande fonte de stress em minha vida. Porém, eu realizei algumas tentativas mal-feitas de busca do tipo de pessoa que ao menos me interessasse em tentar sexo/romance. Identificar-me como assexual pôs um fim nisto (foi anos depois que comecei a me identificar como arromântica).

O que teria me acontecido se eu não houvesse me identificado como assexual naquele tempo? Eu não sei. Eu não me arrependo das tentativas (fúteis) que fiz de tentar ter qualquer romance/sexo na minha vida, mas eu creio que não teria me beneficiado de novas tentativas, então eu penso que veio a calhar que eu parasse justamente quando parei. Apenas isto – parar de tentar ter sexo e romance na minha vida – aumentou minha resiliência pessoal, dado que permitiu-me focar mais em coisas que contribuíram muito mais para me desenvolver enquanto pessoa.

Minha identidade também me ajuda a lidar com a maneira pela qual as pessoas reagem à ausência de sexo e romance na minha vida. Antes de eu assumir uma identidade assexual, as pessoas frequentemente teciam comentários sobre sexo e/ou romance que me deixavam desconfortável. Mas eu não entendia o porquê de ficar desconfortável. Agora, eu compreendo que eu tenho uma perspectiva bem diferente da maioria das pessoas, em questão de sexo e romance. Isto explica um bocado da dissonância que eu sentia entre meus pensamentos e o das outras pessoas, nestes temas. Independente do que as pessoas pensem de mim, minha perspectiva sobre minha própria vida sem-sexo é 100% válida. Isto torna-me mais resiliente perante comentários ignorantes que outras pessoas fazem.

E finalmente, eu sei, graças a outras pessoas assexuais e arromânticas que discutiram suas identidades, que eu não estou sozinha. Eu não sei porquê as pessoas sentem uma necessidade de encontrarem-se nas outras para poderem sentirem-se bem consigo mesmas, com o que são, mas é assim que a natureza humana, e eu não sou uma exceção. Saber que isso não se dá apenas comigo me dá um tiquinho adicionar de resiliência psicológica.

CC0 O texto deste post de Anders Bateva está liberado sob domínio público.
Baseado no trabalho disponível no The Notes Which Do Not Fit.

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