Por fora: bela viola; por dentro: pão bolorento

Fonte: Carlos Afonso Schmitt. O Coração vê mais longe que os olhos – XIII edição – 1978 – capítulos 10 e 12.


De todos os lados e a todo momento sou alvejado pelos chamativos de um mundo que me arranca de minha interiorização e me joga na superficialidade dos mais diversos e baratos atrativos, que apenas alimentam ligeiramente os olhos, sem tempo de chegar ao coração.

E eu pensava: o que vejo não é mais que uma casca. O mais importante é invisível…

Exupéry

Há corpos doentios, miseráveis até, escondendo um coração precioso e carregado de obras boas. Há figuras imponentes, criaturas impecavelmente vestidas e tratadas, ocultando um espírito egoísta e podre, vazio de todos os desejos bons e virtuosas realizações.

Estamos no século da imagem e mais do que nunca “aparentamos”, com muita maestria e falsidade. Somos capazes de convencer-nos, a nós mesmos, que nossas aparências condizem com o conteúdo interno que supomos ter.

Mas, o certo é que os olhos nos enganam por completo. As verdades verdadeiras – aquelas que nascem e crescem na alma da gente, que serão nossa identidade última […] – estas verdades os olhos não captam. Estas pertencem ao domínio do coração, onde o mais secreto e abscôndito se põe às claras. Onde a virtude e a hipocrisia são reveladas, podendo iludir-se apenas aquele que, maldosamente, quiser enganar-se.