Maquiavel: sorte vs previdência

Fonte: Nicolau Maquiavel. O Príncipe – 15ª edição – 1996 – Editora Paz e Terra. Capítulo XXV: “Quando pode a fortuna influenciar as coisas humanas e como se pode resistir a ela”.


Comparo [a sorte] a um destes rios desastrosos, que, na cheia, alagam as planícies, derrubam as árvores e as construções, carregam terra de uma parte, depositam em outra; todos fogem à sua frente, todos cedem ao seu ímpeto sem poder obstar. Mesmo que sejam feitos assim, aos homens só lhes resta, nos tempos de tranquilidade, premunirem-se com reparos e barragens, de modo que ao crescer na cheia, os rios corram por um canal e seu ímpeto não seja nem tão desenfreado, nem tão nocivo.

A sorte manifesta-se de modo semelhante. Demonstra a sua potência onde não há virtude organizada para lhe opor resistência; volta os seus ímpetos para onde sabe que não foram feitas barragens e reparos para segurá-la.