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Anders Bateva

Nonfiction Litblog. Fichamentos / clippings / recortes de não-ficção. Prospecções literárias em: Ciências Sociais; Informática; e Ciências Ambientais.

Anders Bateva

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Mundo ideal ≠ mundo real / Maquiavel

Nicolau Maquiavel. O Príncipe - 15ª edição - 1996 - Editora Paz e Terra. Capítulo XV: "As qualidades pelas quais os homens, sobretudo os príncipes, são louvados ou vituperados".
Maquiavel: homem branco de cabelo curto, com entradas, nos lados. Vestimenta do século XVI. Uma cidade ao fundo.

Como tenho a intenção de escrever algo útil para quem a queira entender, pareceu-me conveniente ir atrás da verdade efetiva da coisa, ao invés da imaginação. Muitos imaginaram repúblicas e principados que nunca se viu nem se soube que fossem verdadeiros, por serem tão diversos de como se vive para como se deveria viver.

Mas, aquele que deixa o que se faz pelo que se deveria fazer aprende a se arruinar em vez de se preservar. Pois o homem que queira professar o bem em toda parte é natural que se arruíne entre tantos que não são bons.

Para um príncipe que queira se manter, então, é necessário aprender a poder ser não-bom, e usar ou não usar isso, conforme precisar.

'PT 🆚 PSDB' / Descartes 💭

René Descartes. Livro "Discurso do Método para Bem Conduzir a Própria Razão e Procurar a Verdade nas Ciências", Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2011. Primeira parte.

O bom senso é a cousa mais bem-repartida deste mundo, porque cada um de nós pensa ser dele tão bem-provido, que mesmo aqueles que são mais difíceis de se contentar com qualquer outra cousa não costumam desejar mais do que o que têm. Não é verossímil que todos se enganem; ao contrário, isto mostra que o poder de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; e, assim, a diversidade de nossas opiniões não resulta de serem umas mais razoáveis do que outras, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por diversas vias, e de não considerarmos as mesmas cousas. Porque não basta ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. As grandes almas são capazes dos maiores vícios como das maiores virtudes; e os que andam lentamente podem avançar muito mais, se seguirem o caminho direito, do que os que correm e dele se afastam.

Nota do tradutor (João Cruz Costa): Descartes considera o bom senso na sua origem, antes de sofrer as deformações do seu mau emprego.