Descartes: PT versus PSDB

Fonte: René Descartes. Livro “Discurso do Método para Bem Conduzir a Própria Razão e Procurar a Verdade nas Ciências“, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2011. Primeira parte.


O bom senso é a cousa mais bem-repartida deste mundo, porque cada um de nós pensa ser dele tão bem-provido, que mesmo aqueles que são mais difíceis de se contentar com qualquer outra cousa não costumam desejar mais do que o que têm. Não é verossímil que todos se enganem; ao contrário, isto mostra que o poder de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; e, assim, a diversidade de nossas opiniões não resulta de serem umas mais razoáveis do que outras, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por diversas vias, e de não considerarmos as mesmas cousas. Porque não basta ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. As grandes almas são capazes dos maiores vícios como das maiores virtudes; e os que andam lentamente podem avançar muito mais, se seguirem o caminho direito, do que os que correm e dele se afastam.

Nota do tradutor (João Cruz Costa): Descartes considera o bom senso na sua origem, antes de sofrer as deformações do seu mau emprego.

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