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Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

Libido: "castrada" por antidepressivos

Fonte: Farmacodermia induzida por Bupropiona em paciente com transtorno depressivo maior - Revista de Medicina e Saúde de Brasília, 2017. Autores: Izabela Rodrigues Figueiredo, Ana Raquel Souza Azevedo, Larissa Araújo Dutra Carvalho, Ana Raquel Nascimento Lawall,Daniele Oliveira Ferreira Silva, e Ulysses Rodrigues Castro.

O efeito de disfunção sexual decorrente do uso de antidepressivos considerados com[o de] primeira e segunda linha no tratamento do Transtorno Depressivo maior, tem como efeito adverso bem documentado a indução da saciedade sexual central, apresentando com sintomas a diminuição da libido, da excitação e do orgasmo. Esses efeitos variam de acordo com o fármaco e com a dose administrada.

Referências

  • Portman, DJ; Kaunitz, AM; Kazempour, K; Mekonnen, H; Bhaskar, S; et al. Effects of low-dose paroxetine 7,5 mg on weight and sexual function during treatment of vasomotor symptom associated with menopause. Menopause, 2014.
  • Reed, SD; Mitchel, CM; Joffe, H; Cohen, L; Shifren, JL; et al. Sexual Function in Women on Estradiol or Venlafaxine for Hot Flushes: A Randomized Controlled Trial. Obstet Gynecol. 124 (201): 233-241.

Bertrand Russell - sobre a hipocrisia religiosa

Fonte: Bertrand Russel, "Por que os homens vão à guerra", Capítulo 7: "A religião e as Igrejas". Editora UNESP, 1ª edição (2014), São Paulo.

"Religião" é uma palvra que tem muitos significados e uma longa história. Na origem, dizia respeito a certos ritos herdados do passado remoto, realizados por alguma razão há muito esquecida e associados, de tempos em tempos, a vários mitos que lhe dão suposta importância. Muito disso ainda permanece. Um homem religioso é aquele que vai à igreja, um comungante, um "praticante", como dizem os católicos. Como ele se comporta em outras circunstâncias, ou como se sente em relação à vida e ao lugar do homem no mundo, nada disso tem influência sobre a questão de ele ser "religioso" nesse sentido simplista, mas historicamente correto. Muitos homens e mulheres são religiosos nesse sentido, sem ter em si nada daquilo que merece ser chamado de religião no sentido em que emprego a palavra. A mera familiaridade com os serviços da Igreja os tornou insensíveis; eles [...] são inertes às palavras dos Evangelhos que, levianamente repetidas, condenam quase todas as atividades dos que se supõem discípulos de Cristo. Este é o destino que assalta todo e qualquer rito habitual: é impossível que continue a produzir muito efeito depois de ter sido realizado tantas vezes, a ponto de se tornar mecânico.

Economias Centralmente Planejadas: engenharia social versus humildade epistemológica

Fonte: Alberto Oliva. Entre o Dogmatismo Arrogante e o Desespero Cético: a Negatividade como Fundamento da Visão de Mundo Liberal, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1993. Capítulo I: "O Embasamento Epistemológico do Liberalismo". Seção 3: "A dispersão do conhecimento".

[...] Mente nenhuma singular pode conhecer mais do que uma fração de tudo o que é conhecido pela soma de todos os intelectos. Isto significa que cada um de nós tem acesso apenas a um diminuto conjunto de informações; que cada um de nós só compreende aprofundadamente o funcionamento de restritos setores da "Máquina do Mundo"; que, em suma, só controlamos, através da posse de efetivo saber, um número ínfimo dos mecanismos que põe em movimento a realidade social em sua totalidade. E se muito pouco cada indivíduo ou grupo conhece do Mundo Social, modestas devem ser suas pretensões transformantes.

Ora, se o conhecimento encontra-se disperso pelos indivíduos e se todo enfoque que cada um de nós aplica ao fluxo potencialmente infinito da experiência é sempre seletivo, mesmo quando se está fazendo ciência, então não há como postular a posse de uma sabedoria sobre, por exemplo, o completo funcionamento do Sistema Social. Consequência disso é que não há indivíduo ou grupo capaz de, com base em adequado conhecimento, arvorar-se em planificador da "racionalidade social" e em demiurgo estipulador de como devem as instituições ser e funcionar. Muito do que o engenheiro social vê como imperfeição funcional das instituições não submetidas à direção de uma autoridade central decorre da existência de uma miríade de saberes dispersos e da ampla variedade de projetos que se pode acalentar quando se vive sob a plena vigência da liberdade. Intentar subjugar à planificação central a multiplicidade, sobre a qual não se dispõe de efetivo conhecimento, só é possível pela imposição de um projeto autoritário de regulamentação das ações, cuja ambição maior é reduzir a riqueza e variedade de perspectivas epistemológicas, existenciais e de competição no mercado, à monocórdia visão dos que, via Estado forte, compelem os indivíduos a se submeterem ao seu projeto político.

A busca do estrito controle epistemológico de todas as variáveis envolvidas em todos os processos de criação e reprodução da ordem social -- via planejamento central -- não tem como ser viabilizada por não se poder dispor -- de forma concentrada -- de todo o conhecimento disperso pelos diferentes agentes sociais. A atitude demiúrgica, que se diz em condições de produzir a completa remodelagem revolucionária do que existe, escora-se numa teoria do conhecimento que acredita possível a obtenção de um saber capaz de aprender a oculta dimensão da realidade. Marx, que está entre os mais radicais proponentes de engenharia social, não se cansa de enfatizar, em Das Kapital, que a ciência desvenda o modo essencial de manifestação da realidade contra as ilusões nas quais se enreda o senso comum, prisioneiro que é do imediatamente dado. [...] Se o conhecimento pode alcançar a essência recôndita do que é investigado, então não tem por que ser humilde. Pode praticamente tudo: revelar-nos como e por que as coisas são como atualmente são, até prescrever como deveriam ser para que fossem melhores.

A epistemologia que se apóia na distinção entre essência e aparência, para conferir à ciência a prerrogativa de apreender os determinantes ocultos dos fenômenos que escapam às visões alternativas [...] pode oferecer a base ideológica para o autoritarismo dos que se julgam possuidores desse saber especial e acreditam poder transformar o mundo -- de forma revolucionária e completa -- a partir de sua aplicação.

[...] Quanto maior a concentração de poder, via planejamento central, maior a perda de uso do amplo conhecimento disperso entre os indivíduos, e maior a inibição à produção de novos conhecimentos. A invenção e a descoberta pressupõem as múltiplas e descentralizadas atividades que se aninham no interior da ordem espontânea. [Entende-se por] ordem espontânea não a anarquia da total falta de regulamentação, mas sim a preservação da miríade de planejamentos setoriais, estribados nos variegados conhecimentos especiais que os indivíduos têm na circunstância físico-social com a qual mantêm contato privilegiado. Nesse sentido, a ordem espontânea é o correlato sistêmico-funcional da liberdade individual. Disso se segue que não há como nutrir a pretensão de alterar profundamente a ordem espontânea sem diminuir (destruir) a liberdade dispersamente usufruída, porque vinculada aos mais diferentes projetos de vida, pelos indivíduos.

[...] A necessidade de planejamento, entendido como o complexo de decisões interrelacionadas sobre a alocação de nossos recursos disponíveis (Hayek, 1949, p. 78) [ é inegável. Entretanto,] a planificação centralizada descura do fato decisivo de que, se por um lado, pode-se enfeixar suficiente poder para coagir os indivíduos a fazerem isto ou aquilo, por outro, não há como concentrar todo o conhecimento que se mostra irremediavelmente distribuído pelas inúmeras mentes e atividades individuais. [...] Entende[-se, portanto] que o planejamento não deve ser feito de forma centralizada para todo o sistema econômico, mas dividido pelos muitos indivíduos. Nesse sentido, são epistemológicas as principais razões que o liberal invoca contra a postura que defende o direcionamento de todo o sistema econômico a partir de um plano unificador.

Status quo

Não procede a acusação, amiúde dirigida aos liberais, de que a visão de mundo que esposam aspira à manutenção do status quo. Se atentos a seu embasamento filosófico, não descuraremos do fato de que sua preocupação maior é a de determinar o quanto conhecemos, com segurança, o que investigamos. Dessa definição depende a justificação do alcance e da extensão de nossos projetos de intervenção na realidade. Propostas de aperfeiçoamento institucional são benvindas, desde que escoradas em efetivo conhecimento de sua funcionalidade e desde que proporcionem, através de um experimentalismo gradualista, a garantia de que estamos nos encaminhando para performances individuais melhores, com total preservação da liberdade. Do contrário, estamos diante de arroubos de engenharia social, inseparáveis da crença arrogante de que temos como obter conhecimento demonstrativamente certo, capaz de legitimar os impulsos demiúrgicos que pretender recriar o mundo social à imagem e semelhança do grupo que está no poder hipertrofiado.

Quando dispensamos adequada atenção ao pano de fundo epistemológico dos liberais, é-nos possível constatar que seu modo de rechaçar o planejamento central é decorrência da convicção de que nenhum de nós dispõe de conhecimento capaz de justificar amplas reestruturações globais. Consequência prática do cerceamento da liberdade é a ineficiência epistemológica geradora da estagnação econômica: reduz-se a rica multiplicidade de projetos que pululam no mercado a um só horizonte, o capitaneado pelo Estado. Mas ainda que o grupo que controla conjunturalmente o aparato estatal possuísse, circunstancialmente, um tipo especial de conhecimento, isso não justificaria a ideia de necessidade do planejamento central. Mesmo porque a perda de liberdade para o Estado, que hoje pode parecer legítima, impediria essa mais ampla movimentação no mercado de ideias e bens que torna possível o surgimento de novos produtos e conhecimentos capazes de melhorar nossas condições de vida grupal.

[...] Reduzir o debate a uma contraposição entre "progressistas" -- os que querem tudo mudar, mesmo sem disporem do indispensável conhecimento disperso pelas diferentes esferas de ação individual -- e "conservadores" -- os que advogam que modificar globalmente a ordem espontânea só seria racionalmente possível se determinado indivíduo ou grupo pudesse enfeixar todo o conhecimento em seu interior pulverizado sem acarretar a supressão da liberdade -- é descurar do fato de que as diferenças entre liberais e "planificadores centrais" promanam, antes de mais nada, do endosso a discrepantes teorias do conhecimento.

Referência

  • HAYEK, F.A. (1949). Individualism and Economic Order. London: Routedged and K. Paul.

Jared Diamond -- Agricultura: heroína ou vilã?

Fonte: Jared Diamond, revista Discover, 1987. Artigo The Worst Mistake in the History of the Human Race. Artigo indicado pelo blog "English Reading and Writing". Scan do artigo originalmente publicado disponível no Internet Archive, Wayback Machine.

The advent of agriculture was a watershed moment for the human race. It may also have been our greatest blunder.

What we eat and how we eat are important both nutritionally and culturally. This selection suggests that how we get what we eat--through gathering and hunting versus agriculture, for example--has dramatic consequences. This seems pretty obvious. We all imagine what a struggle it must have been before the development of agriculture. We think of our ancestors spending their days searching for roots and berries to eat, or out at the crack of dawn, hunting wild animals. In fact, this was not quite the case. Nevertheless, isn't it really better simply to go to the refrigerator, open the door, and reach for a container of milk to pour into a bowl of flaked grain for your regular morning meal? What could be simpler and more nutritious?

There are many things that we seldom question; the truth seems so evident and the answers obvious. One such sacred cow is the tremendous prosperity brought about by the agricultural revolution. This selection is a thought-provoking introduction to the connection between culture and agriculture. The transition from food foraging to farming (what archaeologists call the Neolithic revolution) may have been the worst mistake in human history or its most important event. You be the judge. But for better or worse, this cultural evolution has occurred, and the world will never be the same again.

As you read this selection, ask youtself the following questions:

  • What is the fundamental difference between the progressivist view and the revisionist interpretation?
  • How did the development of agriculture affect people's health?
  • What three reasons explain the changes brought about by the development of agriculture?
  • How did the development of agriculture affect social equality, including gender equality?

The following terms discussed in this selection are included in the Glossary at the back of the book:

  • agricultural development
  • civilization
  • domestification of plants and animals
  • hunter-gatherers
  • Neolithic
  • paleontology
  • paleopathology
  • social stratification

To science we owe dramatic changes in our smug self-image. Astronomy taught us that our earth isn't the center of the universe but merely one of billions of heavenly bodies. From biology we learned that we weren't specially created by God but evolved along with millions of other species. Now archaeology is demolishing another sacred belief: that human history over the past million years has been a long tale of progress. In particular, recent discoveries suggest that the adoption of agriculture, supposedly our most decisive step toward a better life, was in many ways a catastrophe from which we have never recovered. With agriculture came the gross social and sexual inequality, the disease and despotism, that curse our existence.

At first, the evidence against this revisionist interpretation will strike twentieth century Americans as irrefutable. We're better off in almost every respect than people of the Middle Ages, who in turn had it easier than cavemen, who in turn were better off than apes. Just count our advantages. We enjoy the most abundant and varied foods, the best tools and material goods, some of the longest and healthiest lives, in history. Most of us are safe from starvation and predators. We get our energy from oil and machines, not from our sweat. What neo-Luddite among us would trade his life for that of a medieval peasant, a caveman, or an ape?

For most of our history we supported ourselves by hunting and gathering: we hunted wild animals and foraged for wild plants. It's a life that philosophers have traditionally regarded as nasty, brutish, and short. Since no food is grown and little is stored, there is (in this view) no respite from the struggle that starts anew each day to find wild foods and avoid starving. Our escape from this misery was facilitated only 10,000 years ago, when in different parts of the world people began to domesticate plants and animals. The agricultural revolution spread until today it's nearly universal and few tribes of hunter-gatherers survive.

From the progressivist perspective on which I was brought up, to ask "Why did almost all our hunter-gatherer ancestors adopt agriculture?" is silly. Of course they adopted it because agriculture is an efficient way to get more food for less work. Planted crops yield far more tons per acre than roots and berries. Just imagine a band of savages, exhausted from searching for nuts or chasing wild animals, suddenly grazing for the first time at a fruit-laden orchard or a pasture full of sheep. How many milliseconds do you think it would take them to appreciate the advantages of agriculture?

The progressivist party line sometimes even goes so far as to credit agriculture with the remarkable flowering of art that has taken place over the past few thousand years. Since crops can be stored, and since it takes less time to pick food from a garden than to find it in the wild, agriculture gave us free time that hunter-gatherers never had. Thus it was agriculture that enabled us to build the Parthenon and compose the B-minor Mass.

While the case for the progressivist view seems overwhelming, it's hard to prove. How do you show that the lives of people 10,000 years ago got better when they abandoned hunting and gathering for farming? Until recently, archaeologists had to resort to indirect tests, whose results (surprisingly) failed to support the progressivist view. Here's one example of an indirect test: Are twentieth century hunter-gatherers really worse off than farmers? Scattered throughout the world, several dozen groups of so-called primitive people, like the Kalahari bushmen, continue to support themselves that way. It turns out that these people have plenty of leisure time, sleep a good deal, and work less hard than their farming neighbors. For instance, the average time devoted each week to obtaining food is only 12 to 19 hours for one group of Bushmen, 14 hours or less for the Hadza nomads of Tanzania. One Bushman, when asked why he hadn't emulated neighboring tribes by adopting agriculture, replied, "Why should we, when there are so many mongongo nuts in the world?"

While farmers concentrate on high-carbohydrate crops like rice and potatoes, the mix of wild plants and animals in the diets of surviving hunter-gatherers provides more protein and a bettter balance of other nutrients. In one study, the Bushmen's average daily food intake (during a month when food was plentiful) was 2,140 calories and 93 grams of protein, considerably greater than the recommended daily allowance for people of their size. It's almost inconceivable that Bushmen, who eat 75 or so wild plants, could die of starvation the way hundreds of thousands of Irish farmers and their families did during the potato famine of the 1840s.

So the lives of at least the surviving hunter-gatherers aren't nasty and brutish, even though farmers have pushed them into some of the world's worst real estate. But modern hunter-gatherer societies that have rubbed shoulders with farming societies for thousands of years don't tell us about conditions before the agricultural revolution. The progressivist view is really making a claim about the distant past: that the lives of primitive people improved when they switched from gathering to farming. Archaeologists can date that switch by distinguishing remains of wild plants and animals from those of domesticated ones in prehistoric garbage dumps.

How can one deduce the health of the prehistoric garbage makers, and thereby directly test the progressivist view? That question has become answerable only in recent years, in part through the newly emerging techniques of paleopathology, the study of signs of disease in the remains of ancient peoples.

In some lucky situations, the paleopathologist has almost as much material to study as a pathologist today. For example, archaeologists in the Chilean deserts found well preserved mummies whose medical conditions at time of death could be determined by autopsy (Discover, October). And feces of long-dead Indians who lived in dry caves in Nevada remain sufficiently well preserved to be examined for hookworm and other parasites.

Usually the only human remains available for study are skeletons, but they permit a surprising number of deductions. To begin with, a skeleton reveals its owner's sex, weight, and approximate age. In the few cases where there are many skeletons, one can construct mortality tables like the ones life insurance companies use to calculate expected life span and risk of death at any given age. Paleopathologists can also calculate growth rates by measuring bones of people of different ages, examine teeth for enamel defects (signs of childhood malnutrition), and recognize scars left on bones by anemia, tuberculosis, leprosy, and other diseases.

One straight forward example of what paleopathologists have learned from skeletons concerns historical changes in height. Skeletons from Greece and Turkey show that the average height of hunger-gatherers toward the end of the ice ages was a generous 5' 9'' for men, 5' 5'' for women. With the adoption of agriculture, height crashed, and by 3000 B. C. had reached a low of only 5' 3'' for men, 5' for women. By classical times heights were very slowly on the rise again, but modern Greeks and Turks have still not regained the average height of their distant ancestors.

Another example of paleopathology at work is the study of Indian skeletons from burial mounds in the Illinois and Ohio river valleys. At Dickson Mounds, located near the confluence of the Spoon and Illinois rivers, archaeologists have excavated some 800 skeletons that paint a picture of the health changes that occurred when a hunter-gatherer culture gave way to intensive maize farming around A. D. 1150. Studies by George Armelagos and his colleagues then at the University of Massachusetts show these early farmers paid a price for their new-found livelihood. Compared to the hunter-gatherers who preceded them, the farmers had a nearly 50 per cent increase in enamel defects indicative of malnutrition, a fourfold increase in iron-deficiency anemia (evidenced by a bone condition called porotic hyperostosis), a theefold rise in bone lesions reflecting infectious disease in general, and an increase in degenerative conditions of the spine, probably reflecting a lot of hard physical labor. "Life expectancy at birth in the pre-agricultural community was about twenty-six years," says Armelagos, "but in the post-agricultural community it was nineteen years. So these episodes of nutritional stress and infectious disease were seriously affecting their ability to survive."

The evidence suggests that the Indians at Dickson Mounds, like many other primitive peoples, took up farming not by choice but from necessity in order to feed their constantly growing numbers. "I don't think most hunger-gatherers farmed until they had to, and when they switched to farming they traded quality for quantity," says Mark Cohen of the State University of New York at Plattsburgh, co-editor with Armelagos, of one of the seminal books in the field, Paleopathology at the Origins of Agriculture. "When I first started making that argument ten years ago, not many people agreed with me. Now it's become a respectable, albeit controversial, side of the debate."

There are at least three sets of reasons to explain the findings that agriculture was bad for health. First, hunter-gatherers enjoyed a varied diet, while early farmers obtained most of their food from one or a few starchy crops. The farmers gained cheap calories at the cost of poor nutrition. (Today just three high-carbohydrate plants — wheat, rice, and corn — provide the bulk of the calories consumed by the human species, yet each one is deficient in certain vitamins or amino acids essential to life.) Second, because of dependence on a limited number of crops, farmers ran the risk of starvation if one crop failed. Finally, the mere fact that agriculture encouraged people to clump together in crowded societies, many of which then carried on trade with other crowded societies, led to the spread of parasites and infectious disease. (Some archaeologists think it was the crowding, rather than agriculture, that promoted disease, but this is a chicken-and-egg argument, because crowding encourages agriculture and vice versa.) Epidemics couldn't take hold when populations were scattered in small bands that constantly shifted camp. Tuberculosis and diarrheal disease had to await the rise of farming, measles and bubonic plague the appearance of large cities.

Besides malnutrition, starvation, and epidemic diseases, farming helped bring another curse upon humanity: deep class divisions. Hunter-gatherers have little or no stored food, and no concentrated food sources, like an orchard or a herd of cows: they live off the wild plants and animals they obtain each day. Therefore, there can be no kings, no class of social parasites who grow fat on food seized from others. Only in a farming population could a healthy, non-producing elite set itself above the disease-ridden masses. Skeletons from Greek tombs at Mycenae c. 1500 B. C. suggest that royals enjoyed a better diet than commoners, since the royal skeletons were two or three inches taller and had better teeth (on the average, one instead of six cavities or missing teeth). Among Chilean mummies from c. A. D. 1000, the elite were distinguished not only by ornaments and gold hair clips but also by a fourfold lower rate of bone lesions caused by disease.

Similar contrasts in nutrition and health persist on a global scale today. To people in rich countries like the U.S., it sounds ridiculous to extol the virtues of hunting and gathering. But Americans are an elite, dependent on oil and minerals that must often be imported from countries with poorer health and nutrition. If one could choose between being a peasant farmer in Ethiopia or a bushman gatherer in the Kalahari, which do you think would be the better choice?

Farming may have encouraged inequality between the sexes, as well. Freed from the need to transport their babies during a nomadic existence, and under pressure to produce more hands to till the fields, farming women tended to have more frequent pregnancies than their hunter-gatherer counterparts — with consequent drains on their health. Among the Chilean mummies for example, more women than men had bone lesions from infectious disease.

Women in agricultural societies were sometimes made beasts of burden. In New Guinea farming communities today I often see women staggering under loads of vegetables and firewood while the men walk empty-handed. Once while on a field trip there studying birds, I offered to pay some villagers to carry supplies from an airstrip to my mountain camp. The heaviest item was a 110-pound bag of rice, which I lashed to a pole and assigned to a team of four men to shoulder together. When I eventually caught up with the villagers, the men were carrying light loads, while one small woman weighing less than the bag of rice was bent under it, supporting its weight by a cord across her temples.

As for the claim that agriculture encouraged the flowering of art by providing us with leisure time, modern hunter-gatherers have at least as much free time as do farmers. The whole emphasis on leisure time as a critical factor seems to me misguided. Gorillas have had ample free time to build their own Parthenon, had they wanted to. While post-agricultural technological advances did make new art forms possible and preservation of art easier, great paintings and sculptures were already being produced by hunter-gatherers 15,000 years ago, and were still being produced as recently as the last century by such hunter-gatherers as some Eskimos and the Indians of the Pacific Northwest.

Thus with the advent of agriculture the elite became better off, but most people became worse off. Instead of swallowing the progressivist party line that we chose agriculture because it was good for us, we must ask how we got trapped by it despite its pitfalls.

One answer boils down to the adage "Might makes right." Farming could support many more people than hunting, albeit with a poorer quality of life. (Population densities of hunter-gatherers are rarely over one person per ten square miles, while farmers average 100 times that.) Partly, this is because a field planted entirely in edible crops lets one feed far more mouths than a forest with scattered edible plants. Partly, too, it's because nomadic hunter-gatherers have to keep their children spaced at four-year intervals by infanticide and other means, since a mother must carry her toddler until it's old enough to keep up with the adults. Because farm women don't have that burden, they can and often do bear a child every two years.

As population densities of hunter-gatherers slowly rose at the end of the ice ages, bands had to choose between feeding more mouths by taking the first steps toward agriculture, or else finding ways to limit growth. Some bands chose the former solution, unable to anticipate the evils of farming, and seduced by the transient abundance they enjoyed until population growth caught up with increased food production. Such bands outbred and then drove off or killed the bands that chose to remain hunter-gatherers, because a hundred malnourished farmers can still outfight one healthy hunter. It's not that hunter-gatherers abandoned their lifestyle, but that those sensible enough not to abandon it were forced out of all areas except the ones farmers didn't want.

At this point it's instructive to recall the common complaint that archaeology is a luxury, concerned with the remote past, and offering no lessons for the present. Archaeologists studying the rise of farming have reconstructed a crucial stage at which we made the worst mistake in human history. Forced to choose between limiting population or trying to increase food production, we chose the latter and ended up with starvation, warfare, and tyranny.

Hunter-gatherers practiced the most successful and longest-lasting life style in human history. In contrast, we're still struggling with the mess into which agriculture has tumbled us, and it's unclear whether we can solve it. Suppose that an archaeologist who had visited from outer space were trying to explain human history to his fellow spacelings. He might illustrate the results of his digs by a 24-hour clock on which one hour represents 100,000 years of real past time. If the history of the human race began at midnight, then we would now be almost at the end of our first day. We lived as hunter-gatherers for nearly the whole of that day, from midnight through dawn, noon, and sunset. Finally, at 11:54 p. m. we adopted agriculture. As our second midnight approaches, will the plight of famine-stricken peasants gradually spread to engulf us all? Or will we somehow achieve those seductive blessings that we imagine behind agriculture's glittering facade, and that have so far eluded us?

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Porquê o serviço público é uma merda?

Fonte: Mateus Carvalho (jornalista) e Renato Lacerda (professor de Administração Pública do Gran Cursos Online, além de administrador e analista de gestão pública do MPU). Artigo Serviço público não funciona? 3 motivos para não culpar o servidor publicado na Folha Dirigida em 27 de outubro de 2020.

De fato, o serviço público brasileiro está longe de ser um referencial de excelência e qualidade na prestação, [...] contudo, é preciso se desconstruir a linha argumentativa falaciosa que atribui [toda a] responsabilidade da má qualidade aos servidores: são questões estruturais, de priorização e do sistema de gestão que tornam os serviços públicos ruins. [...] A grande verdade é que os servidores são vilanizados, sem que se considerem as questões estruturais por trás da máquina pública, o que inclui o modelo de gestão e o baixo investimento que o Estado faz em melhorias nos sistemas de gestão de pessoas, de treinamento, de avaliação do desempenho e em tecnologias aplicadas à gestão, por exemplo.
— Renato Lacerda.

O problema é o salário?

Muito se discute [...] sobre a questão salarial. Será que os baixos salários podem vir a ser uma justificativa para que o serviço público tenha essa fama de péssimo? O professor de Administração Pública se encarrega logo de explicar que os motivos estão muitos mais atrelados aos problemas estruturais e de gestão do que salários, que são realidade e regra, principalmente para municípios e estados.

Claro que o alto escalão do serviço público existe em uma quase “ilha da fantasia”, mas eles são exceção [...]: magistrados, procuradores, promotores, membros de Poder. [...] A grande realidade é que vários servidores Brasil afora recebem quantias ínfimas, muitas vezes com complemento de salário mínimo e sujeitos a péssimas condições de trabalho, assédio moral e pressões de ordem política e hierárquica, a despeito de terem estabilidade.
— Renato Lacerda.

Péssimas condições de trabalho

Imagina só, você que não é servidor público:

  • trabalhar em um setor administrativo cujos computadores são lentos e a internet não funciona;
  • trabalhar em determinada loja que não te dá nenhuma capacitação ou treinamento de como abordar clientes;
  • ou trabalhar em um local com cadeiras desconfortáveis, sem água, luz instável e com falta de pessoal.

Nessas três condições acima, você se sentiria confortável para prestar um serviço de qualidade? Como você se sentiria nessa situação, podendo haver pressão por parte de superiores?

É o que pode acontecer muita das vezes com os servidores públicos. A vontade de prestar um serviço público de excelência poderá sempre existir, mas será que existem as condições básicas? Ou será que sempre serão as mesmas péssimas condições de trabalho, precárias e que dificultam o dia a dia dos profissionais? Essa afirmativa é consequência de descaso, e que mais uma vez não envolve o servidor. Impossível atrelar a ele essa culpa.

Demarcadamente, a área de Saúde é a de menor qualidade percebida pelos usuários. Contudo, não se deve atribuir culpa exclusiva aos servidores. As condições de trabalho são precárias, o Estado não investe em tecnologias avançadas, há uma péssima gestão de recursos materiais, patrimoniais e humanos, o que se associa aos baixos salários praticados, que minam a motivação dos servidores que precisam atender milhares de pessoas sem condições estruturais mínimas.
— Renato Lacerda.

Politicagem comendo no centro

É notório que, também, devemos atrelar culpa aos governantes e gestores. Eles precisam se responsabilizar por grande parte do sistema deficitário que está o atual serviço público do país, como um todo.

Renato ainda explica que boa parte dos ocupantes a cargos de direção ocupam mandatos, e não tem como característica um caráter técnico ou mérito para estar exercendo tal cargo, mas sim loteamento e apadrinhamento. Dessa forma, ele comenta que cada vez mais isso traz fragilidade ao sistema de gestão e faz do servidor público um refém da boa vontade e espera por gestores honestos, que prestem serviço pensando no bem social e não próprio.

Liderança: Teoria X versus Teoria Y

Fonte: Mario Sergio Cunha Alencastro. Livro Ética empresarial na prática: liderança, gestão e responsabilidade corporativa. Capítulo 3.7: "O papel da liderança". Editora Intersaberes, 2016.

Douglas McGregor (1999) desenvolveu os conceitos denominados de teorias X e Y, que concebem o homem de forma totalmente diversa, pois estão baseadas em visões de mundo diferentes e que permitem a determinação dos diversos estilos de liderança existentes.

Quadro 3.2 - Teorias X e Y
Teoria X Teoria Y
O trabalho é, por si mesmo, desagradável à maioria das pessoas. Havendo condições favoráveis, o trabalho é tão natural quanto a recreação.
A maioria das pessoas não tem ambição, não deseja responsabilidades, e prefere ser dirigida. Para a consecução dos objetivos da organização, muitas vezes é indispensável o autocontrole.
A maioria das pessoas tem pouca criatividade para resolver problemas organizacionais. Está amplamente difundida entre o pessoal a criatividade para a resolução de problemas organizacionais.
A motivação somente existe nos níveis fisiológicos e de segurança. A motivação existe tanto nos níveis sociais, de estima, e de autorrealização, quanto nos níveis fisiológico e de segurança.
É preciso submeter os trabalhadores a um controle direto e, muitas vezes, a uma verdadeira coação, a fim de alcançar os objetivos da organização. Se adequadamente motivadas, as pessoas podem ser criativas e autodirigidas.
Fonte: adaptado de McGregor, 1999, p. 37-38.

A teoria X pode desencadear certos tipos de práticas gerenciais, como o paternalismo, a não delegação de decisões, o controle e a punição, tornando a remuneração e a segurança as únicas formas de incentivo ao trabalho. A inadequação da teoria X reside na preocupação em satisfazer exclusivamente as necessidades fisiológicas do ser humano. Sabemos que a satisfação desses necessidades não é um fator motivador para o trabalho. Os benefícios e salários complementares podem ser usados para a satisfação das necessidades de uma pessoa somente fora da empresa. Dessa forma, a motivação para o trabalho deve ser encontrada na satisfação de outras necessidades.

O ser humano também apresenta as necessidades sociais e do ego, isto é, as de autoestima, autonomia, realização, reconhecimento e status. São essas necessidades (superiores) que motivam o indivíduo para o trabalho, e sua privação pode levá-los à passividade, à má-vontade de aceitar responsabilidades, e à resistência às mudanças. Os gerentes exclusivamente "tipo X" acabam por estimular comportamentos negativos por parte de seus empregados.

Já na teoria Y, a forma de influência pregada é a da integração entre as necessidades e as aspirações do indivíduo e o sucesso da empresa. O indivíduo que estiver comprometido com os objetivos da empresa não precisa ser controlado, pois ele mesmo se autocontrola, ou seja, a autodisciplina depende do grau de comprometimento do indivíduo com os objetivos da empresa.

A teoria Y não nega o exercício da autoridade. A autoridade é até mesmo perfeitamente adequada como meio de influenciar comportamentos em certas ocasiões. Contudo, há inúmeras circunstâncias nas quais o simples exercício da autoridade deixa de alcançar os resultados desejados.

Podemos fazer um paralelo entre as duas teorias, conforme esquematizado na Figura 3.3.

Figura 3.3 - Autoridade versus liberdade
Teoria X ⟵────────── ──────────⟶ Teoria Y
Liderança centrada no chefe
Poder
Dirigir Persuadir Compartilhar Delegar Liderança compartilhada com a equipe
Liberdade
O chefe toma a decisão e anuncia O chefe "vende" a decisão O líder apresenta o problema, recebe sugestões e toma a decisão O líder define limites e pede ao grupo que tome a decisão
Fonte: elaborado com base em McGregor, 1999, p. 37-38; Oakland, 1994, p. 329.

Ao analisar o esquema disposto na Figura 3.3, é fácil perceber que os estilos de liderança apontam para duas direções opostas, uma focada no poder (teoria X) e outra, na liberdade (teoria Y):

  • Se o líder caminha na direção Y, ele começa paulatinamente a desenvolver uma postura gerencial mais próxima do conceito de liberdade e democracia. O caminho natural é dialogar com sua equipe, tentando obter subsídios para sua tomada de decisão e, numa etapa posterior, representada pelo amadurecimento do grupo, delegar o processo decisório para seus colaboradores.
  • No sentido oposto, se o líder tende a seguir a direção X, ele se tornará mais diretivo com o passar do tempo, e, em um caso extremo, já não compartilhará mais as decisões com a equipe. Apenas decidirá de forma centralizada e autocrática e informará a decisão aos subordinados.

[...]

Os bons líderes e administradores conhecem bem os extremos das duas teorias. O que muitos não sabem é que existe uma gama de posições entre esses extremos e que é possível escolher e trabalhar em posições diferentes em ocasiões diferentes (liderança situacional). Isso está intimamente relacionado com o nível de amadurecimento e comprometimento da equipe.

Referências

  • MCGREGOR, D. O lado humano da empresa. 3. ed. São Paulo: M. Fontes, 1999.
  • OAKLAND, J. Gerenciamento da qualidade total. São Paulo: Nobel, 1994.

Notebooks Dell: comparativo 2019

Checagem: 30/05/2019, em todos os Inspiron.
As outras linhas são todas muito caras, portanto não interessaram a mim, consequentemente não conferi. Exceção: Vostro, que tem apenas um modelo.

Nota: o Intel HD Graphics 620 e o Intel UHD Graphics 620 são praticamente idênticos, a diferença é mínima!

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Inspiron 14" série 3000
  ci3481u105br ci3481w105brw ci3480w107brw
R$ 2.119 2.269 2.701
CPU Intel Core i3-7020U (7ª g.)
  • Núcleos: 2;
  • Threads: 4;
  • Clock-base: 2.30 GHz;
  • Cache: 3 MB.
Intel Core i5-8265U (8ª g.)
  • Núcleos: 4;
  • Threads: 8;
  • Clock-base: 1.60 GHz;
  • Cache: 6 MB.
GPU Intel® UHD Graphics 620
RAM DDR4 4GB (1x4GB) 2400MHz
Máximo de 2133MHz devido ao barramento.
DDR4 4GB (1x4GB) 2666MHz
Máximo de 2400MHz devido ao barramento.
OS Ubuntu Linux 18.04 Windows 10 Home 64-bit
Tela Tela HD de 14" (1366 x 768), antirreflexo e retroiluminação por LED
HDD 1TB 5400 RPM
Wireless Wi-fi 802.11ac + Bluetooth 4.1
Bateria 42Wh, 3 células
Conectores
  • 1 saída HDMI
  • 2 USB 3.0
  • 1 USB 2.0
  • 1 saída fone de ouvido
  • 1 RJ45 (LAN)
  • 1 conector de energia
  • 1 slot para cartão SD

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Inspiron 15" série 3000
  ci3584u106br ci3584w106brw ci3583w132brw ci3583w111brw ci3583w163brw ci3583w148brw ci3583w162brw
R$ 2.199 2.349 2.720 2.940 3.339 3.299 3.491
CPU Intel Core i3-7020U (7ª g.)
  • Núcleos: 2;
  • Threads: 4;
  • Clock-base: 2.30 GHz;
  • Cache: 3 MB.
Intel Core i5-8265U (8ª g.)
  • Núcleos: 4;
  • Threads: 8;
  • Clock-base: 1.60 GHz;
  • Cache: 6 MB.
Intel Core i7-8565U (8ª g.)
  • Núcleos: 4;
  • Threads: 8;
  • Clock-base: 1.80 GHz;
  • Cache: 8 MB.
GPU Intel HD Graphics 620 Intel UHD Graphics 620 AMD Radeon 520 Graphics com 2GB de GDDR5 Intel UHD Graphics 620
RAM DDR4 4GB (1x4GB) 2666MHz
Máximo de 2400MHz, devido ao barramento.
DDR4 8GB (1x8GB) 2666MHz
Máximo de 2400MHz, devido ao barramento.
OS Ubuntu 18.04 Windows 10 Home 64-bit
Tela 15,6" 1366 x 768 (HD)
antirreflexo, retroiluminação LED
15,6" 1920 x 1080 (Full HD)
antirreflexo, retroiluminação LED
15,6" 1366 x 768 (HD)
antirreflexo, retroiluminação LED
HDD HD de 1TB (5400 RPM) SSD SATA M.2 de 256GB HD SATA 2,5" de 2TB (5400 RPM)
Wireless Placa de rede 802.11ac (WiFi 1x1) + Bluetooth 4.1
Bateria 42 Wh, 3 células
Conectores
  • 1 saída HDMI
  • 2 USB 3.0
  • 1 USB 2.0
  • 1 saída fone de ouvido
  • 1 RJ45 (LAN)
  • 1 conector de energia
  • 1 slot para cartão SD

Bertrand Russell - o poder do pensamento

Fonte: Bertrand Russel, "Por que os homens vão à guerra", Capítulo 5: "A Educação". Editora UNESP, 1ª edição (2014), São Paulo.

O mundo em que vivemos é vário e impressionante: algumas das coisas que parecem as mais simples ficam cada vez mais complexas quanto mais as examinamos; outras coisas, que poderiam parecer quase impossíveis de se descobrirem, já foram esclarecidas pela genialidade e pela indústria. Os poderes do pensamento, as vastas regiões que ele pode dominar, as regiões muito mais vastas que ele pode apenas vagamente sugerir à imaginação, dão àqueles cujas mentes viajaram para além do ordinário uma incrível riqueza de material, uma fuga da trivialidade e do fastio da rotina -- e assim toda a vida se enche de interesse e se derrubam os muros da prisão do lugar-comum. O mesmo amor à aventura que arrasta homens ao Polo Sul, a mesma paixão por uma prova de força conclusiva que leva homens a saudar a guerra, pode encontrar, no pensamento criativo, um canal de manifestação que não é nem desperdiçado, nem cruel e que aumenta a dignidade do homem ao encarnar na vida um pouco do esplendor brilhante que o espírito humano arrebata ao desconhecido. Dar essa alegria, em maior ou menor medida, a todos os que dela são capazes, é a finalidade suprema pela qual se deve valorar a educação da mente.

Talvez se diga que a alegria da aventura mental é rara, que poucos podem apreciá-la e que a educação ordinária não pode dar conta de um bem tão aristocrático. Não acredito nisso. A alegria da aventura mental é muito mais comum nos jovens do que nos homens e nas mulheres. É muito comum entre as crianças e cresce naturalmente na fase do faz de conta e da fantasia. É rara na vida adulta porque se faz de tudo para matá-la durante a educação. Os homens temem o pensamento mais do que a qualquer outra coisa no mundo -- mais do que a ruína, mais até do que a morte. O pensamento é subversivo e revolucionário, destrutivo e terrível; o pensamento é implacável com o privilégio, com as instituições estabelecidas e com os hábitos confortáveis; o pensamento é anárquico e sem lei, indiferente à autoridade, negligente para com a sabedoria comprovada dos tempos. O pensamento olha para o fundo do inferno e não sente medo. Vê o homem, esse grão insignificante, cercado por insondáveis profundezas de silêncio; mesmo assim, aguenta orgulhosamente, impassível, como se fosse o senhor do universo. O pensamento é grandioso, veloz e livre, a luz do mundo e a glória máxima do homem.

Mas, se quisermos fazer que o pensamento seja propriedade de muitos, e não privilégio de poucos, precisamos nos livrar do medo. É o medo que detém os homens -- medo de que suas estimadas crenças se provem ilusórias, medo de que as instituições pelas quais vivem se provem prejudiciais, medo de que eles próprios se provem menos dignos de respeito do que supunham. [...]

Não há instituição inspirada pelo medo que possa promover a vida. A esperança, e não o medo, é o princípio criativo das coisas humanas. Tudo o que fez grande o homem surgiu da tentativa de assegurar o que é bom, não da luta para evitar o que se julgava ruim. A educação moderna raramente consegue um grande resultado porque raramente se inspira pela esperança. O anseio de preservar o passado, em vez da esperança de criar o futuro, domina as mentes de quem controla o ensino da juventude. A educação não deve visar a uma consciência passiva de fatos mortos, mas sim a uma atividade direcionada para o mundo que vamos criar com nossos próprios esforços.

Planeta: lixo não é produto, é matéria-prima!

Fonte: Renata Valério de Mesquita. Revista Planeta nº 502, de setembro de 2014. Artigo Jogue Dinheiro no Lixo.

Combustível Derivado de Resíduo

Uma parte dos desperdícios encaminhados para o Aterro de Paulínia (SP), da empresa Estre Ambiental, passa por uma seqüência de separações mecânicas e segue para um maquinário importado da Finlândia, único na América Latina. Apelidado de “tiranossauro”, seu sistema de trituração reduz um sofá a pedaços menores de seis centímetros. O resultado final é um massa de alto poder inflamável capaz de substituir combustíveis fósseis (como carvão e madeira), usada em caldeiras da indústria de cimento.

Com capacidade para gerar até sete mil toneladas por mês de CDR, o tiranossauro não só vai gerar novos ingressos para a empresa, como estender a vida útil do seu aterro que deixa de receber esses volumes diários de resíduos. A valorização do resíduo é uma mudança de paradigma que está acontecendo agora. Seu benefício ambiental é claro e transforma custo em rendimento.

☞ Leia mais sobre Combustível Derivado de Resíduo no site da Estre Ambiental.

Eletricidade a partir do Biogás

Em meados de agosto [de 2014], a Estre inaugurou, na unidade de Guatapará (SP), uma usina de energia elétrica por biogás, a primeira das dez planejadas até 2017. Com capacidade para gerar 3 mil megawatts por hora (MWh), a planta pode abastecer uma cidade de 18 mil habitantes.

☞ Leia mais sobre conversão de biogás em eletricidade no site da Estre Ambiental.

A Biogás Energia Ambiental, que já atua no mercado há dez anos, tem hoje as usinas de Gramacho, no Rio de Janeiro, e São João e Bandeirantes, ambas em São Paulo. A São João, em São Miguel, opera no limite máximo de geração, 20 MWh (gerando energia para 150 mil habitantes). A usina extrai gás do aterro de mesmo nome – que recebeu 28 milhões de toneladas de resíduos até ser fechado em 2009, e vai gerar metano por de duas décadas – e da Central de Tratamento de Resíduos Leste (CTL), aberta em 2010 logo ao lado, também na estrada do Sapopemba.

Enquanto aguarda a construção do gasoduto que ligará o Aterro Dois Arcos, em São Pedro da Aldeia (RJ), à rede da Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro (CEG-Rio), previsto para 2015, a Usina de Tratamento de Biogás dará outro fim para o biogás. Além de comprimir e entregar o gás gerado a um consumidor industrial, vai usá-lo como gás natural veicular (GNV) na sua frota de carros e caminhões de lixo. Os oito municípios da Região dos Lagos, atendidos pelo aterro, representam melhor a realidade do mercado de lixo brasileira do que as grandes capitais do país.

☞ Leia mais sobre a Usina de Biogás do Aterro Dois Arcos no site da Ecometano.

Construção civil

Embora se possa aproveitar de diferentes formas o gás dos aterros, é crucial fazer cada vez mais materiais retornarem à cadeia de produção. Constituído em 2007, o Consórcio Pró-Sinos, que reúne 27 dos 32 municípios da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (RS) – onde vivem 1,7 milhão de pessoas – apostou em outra solução para outro grande problema ambiental: construiu uma usina de beneficiamento de resíduos da construção civil, em São Leopoldo. A construção civil é o maior gerador de lixo da economia moderna.

O entulho levado para lá é processado para se tornar brita, areia reciclada, bica corrida (brita com granulação maior) e material para aterro. O produto mais barato é a areia, que custa[va, em 2014] R$ 28 por metro cúbico para particulares, R$ 24 para municípios em geral e R$ 20 para municípios associados. Desde que a usina entrou em operação, em dezembro de 2013, o consórcio recebe 16% do faturamento da empresa que ganhou a concessão de 20 anos do negócio.

☞ Leia mais sobre a Usina de RCC no site do Consórcio Pró-Sinos.

Compostagem: biofertilizantes

A compostagem transforma os restos orgânicos em biofertilizantes e é indicada para municípios pequenos, pelo tipo de lixo que geram e pela maior demanda por adubo. Segundo Kozerski, isso não traz lucro direto, principalmente sem bioaceleradores e biodigestores (tecnologias mais novas nessa área), mas aumenta a vida útil do aterro e sobretudo o retorno do investimento feito nele. Outra forma de estender a vida útil do aterro é fazer uma boa coleta seletiva para reciclagem, porque assim as prefeituras podem levar menos coisa ao aterro e reduzir seus gastos com transporte.