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Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

O Perigo da Assexualidade

Autor: Onychoprion, em 22/08/2015. Traduzido por Anders Bateva.

Eu apenas recentemente descobri que sou assexual, e tenho estado re-avaliando minhas experiências de vida sob estas lentes. Para esclarecer, eu apenas recentemente descobri que a assexualidade era alguma coisa existente, após isto, eu quase imediatamente percebi que eu muito provavelmente era um - eu não acordei um dia e decidi que era assexual, ao invés disto, eu descobri um rótulo que coincidia com minhas próprias experiências e sentimentos. Até que eu me deparasse com um artigo de enciclopédia sobre isto, eu me considerava um heterossexual "quebrado", como falarei mais adiante.

Este texto não é uma reclamação sobre como é dura a vida de um assexual, e como o mundo precisa mudar, ou algo desse tipo. Eu sei (ou melhor, eu presumo) que minha condição é rara, tão rara que eu nem ao menos sabia que ela existia até que eu tivesse 23 anos de idade, e seria incrivelmente injusto se eu solicitasse que a vasta maioria dos seres humanos se adaptasse à minha situação "quebrada". Ao invés disto, este text tem um simples propósito de informar. Conhecimento e compreensão nunca são coisas ruins. Dito isto, eu absolutamente não posso declarar que estou falando em nome de todos os assexuais (se é que uma coisa desses pudesse alguma vez ser declarada); o conteúdo deste texto é simplesmente minha experiência e meus pensamentos sobre este tema.

Para ser mais específico, eu vou falar sobre como eu aprendi e fui introduzido lentamente à realidade da cultura sexual, minhas experiências de relacionamento, e alguns pensamentos a respeito do atual estado das coisas.

Crescendo em um mundo não-relacionável

Eu nasci e fui criado como um Adventista de Sétimo Dia, e como tal, fui mais blindado contra sexualidade durante meus anos iniciais. Até tivemos educação sexual no ensino fundamental, e olhando em retrospectiva, isto foi notavelmente progressistas, devido a se tratar de uma instituição religiosa, mas ao ir para o ensimo médio, eu realmente não tinha ideia de quão essencial o sexo é na cultura moderna.

Uma de minhas memórias mais vívidas em meu ano inicial do ensino médio foi a professora de Inglês trazendo a boa-nova de que basicamente tudo resume-se a sexo. Na época eu pensava que eu era um humano macho típico e honestamente não acreditei em uma palavra do que ela disse. Eu me lembrei de ter assistido Friends quando era criança, e apresentei isso como contra-argumento para a declaração dela, ao que ela respondeu Friends é totalmente sobre quem vai conseguir uma transa. O que eu novamente não acreditei, até que eu assisti um episódio de Friends após a aula, e descobri que ela estava certa.

Após isto, eu comecei a reparar em tudo. Parecia que todo enredo de um show de TV dava-se em torno de machos cortejando fêmeas. Eu percebi que a maioria dos livros que eu lia envolviam, de uma forma ou de outra, sexo, com frequência sendo esta a motivação principal de alguns dos personagens. Como uma criança, eu não dava muita atenção a isto, mas conforme fiquei mais velho, eu comecei a perceber que isto provavelmente não era uma coincidência. Histórias são mais engajadoras se é possível estabelecer relações com os personagens, e eu comecei a perceber que sexo-como-força-motriz era aparentemente o aspecto mais relacionável, pelo menos para machos.

Isto me confundiu imensamente. Novamente, eu me considerava um macho típico, porém não conseguia me relacionar com nenhum desses personagens. Mas eu continuei vendo isto em todo lugar. Outro momento que marcou-se em minha memória foi ler um livro designado para informar adolescentes de ambos os gêneros sobre como relacionar-se com o gênero oposto. Um capítulo basicamente resumia-se à ideia de que qualquer coisa que um rapaz faz para uma garota é, de alguma forma, um esforço para conseguir transa ou ganhar prazer sexual de outras maneiras. Por exemplo, manter uma porta aberta para garotas era uma maneira de checar as bundas delas. Isto me deixou desconfortável, pois na época eu mantinha as portas abertas para as garotas devido a acahar que era uma coisa polida a se fazer. Eu não tinha interesse em checar as bundas delas; depois disto, eu sempre senti que eu não podia nem mesmo sorrir para uma garota sem me preocupar se elas estavam pensando que esta era simplesmente uma maneira de levá-las para a cama.

Eu comecei a me perguntar se isto era uma coisa somente com adolescentes, ou se estes livros talvez estavam enviesados contra os homens (novamente, eu me considerava um homem típico), ou informando todos das piores características do gênero masculino em um esforço para evitar situações de estupro, ou algo assim. Mas novamente, minhas experiências me ensinaram o oposto. Eu ouvia homens, adultos, dizerem coisas como Tudo o que eu faço é, de certa forma, feita na expectativa de que levará a sexo.

Foi por aí que eu percebi que eu não podia me relacionar com este mundo, esta cultura que me cerca. A sociedade inteira tem este "complô", esta piada interna com o sentimento de "você tem de estar lá para entender", para o qual eu fui, e sempre serei, perpetuamente ausente.

Relacionamentos e agir normal

Pela minha infância inteira, eu vi a sexualidade humana como uma barra bi-dimensional. De um lado, você tinha os homossexuais, e do outro, os heterossexuais, e todo mundo se encaixaria nesta linha. Como eu não tinha interesse em garotos, mas eu tinha interesse em garotas, eu supus que eu estava do lado heterossexual. No ensino fundamental eu tinha aquele "gostar" ingênuo e descompromissado com algumas garotas, no sentido de que eu sabia que garotos gostavam de garotas, e isto era o que supunha-se que eu fizesse para me encaixar. Dado que tratava-se do ensino fundamental, eu não me sentia muito fora d'água, e foi fácil para mim presumir que todo mundo era que nem eu, e só seguir o fluxo de como as coisas supostamente deveriam ser.

Quando eu entrei no ensino médio, eu fui para um internato que, fora o fato de tomar-me de todos os conhecidos do ensino fundamental, pôs-me em uma posição onde eu estava com meus pares todo o tempo. Foi durante estes quatro anos que eu desenvolvi meus relacionamentos interpessoais mais fortes. Eu encontrei metade de meus atuais amigos nesta escola.

Note porém, que internato é diferente de uma escola que funciona só durante o dia: você não pode pôr uma máscara durante 8h/dia e então ir para casa e ser você mesmo. Ou você usa a máscara todo o tempo, ou você não a usa simplesmente, e no processo de fazer de uma forma ou de outra, você aprende muito mais sobre você mesmo. Para mim, eu aprendi - apesar de que principalmente após os ocorridos - o que um relacionamento significa para mim.

Eu encontrei e cortejei 2 garotas durante meu tempo ali: uma autora (chamarei-a "Emma") e uma artista ("Olivia"), ambas as quais eu ainda considero excelentes amigas. Emma estava ali por um semestre apenas, porém nossa amizade me pôs em contato próximo com a amiga e colega de quarto dela Olivia, com quem eu namorei por mais tempo.

Lembre-se de que, nesta mesma época, eu estava aprendendo que o cara estereotípico estava fazendo de tudo para conseguir transa. Eu fiz o meu melhor para afastar este estereótipo, apesar de que não a partir de uma escolha consciente qualquer, simplesmente devido a eu não sentir nenhuma dessas urgências. Eu gostava da companhia da Emma e da Olivia, até buscava por isto, mas nem uma vez eu senti uma necessidade real de tornar nosso relacionamento mais físico. Abraçar era o contato mais físico que eu desejava.

Após o ensino médio, eu fui para uma universidade , onde minhas únicas interações com meus pares resumiam-se a mais ou menos uma hora em que estávamos na mesma turma juntos. Eu nunca desenvolvi amizades, quem dirá relacionamentos, pois eu tinha tudo que eu precisava simplesmente mantendo contato com Olivia. As coisas com a Olivia culminaram quando ela veio me visitar. Meu padrasto ofereceu, se não diretamente comprar para mim, me direcionar a um lugar onde eu poderia obter preservativos, antes da chegada dela. Eu recusei, já que eu ainda não sentia absolutamente nenhum desejo de ter sexo. Olivia e eu, naquela época, já nos conhecíamos há uns 6 anos, estávamos namorando pela maior parte deste tempo, e esta visita foi a primeira vez que nós ao menos nos beijamos. Um ato iniciado por ela...

Foi então que eu me dei conta que algo estava drasticamente errado comigo, e nosso relacionamento lentamente morreu. Eu estava satisfeito com nossa conexão emocional. Eu gostava de estar com ela, ir em viagens pela costa, conversar e jogar jogos e assistir filmes. Mas eu não tinha nenhum desejo de fazer nada além disto, nenhuma pulsão para complementar o relacionamento com intimidade física. Em resumo, eu não poderia ser um bom namorado.

Após Olivia e eu terminarmos, eu estupidamente tentei reconstruir um relacionamento com Emma. Felizmente para ambos de nós, não tomou 6 anos para este relacionamento morrer também. Como eu não consigo prover adequada conexão física, eu não deveria me engajar em tais relacionamentos, tal qual alguém que não sabe nada sobre medicina não poderia se tornar médico.

O agora e o depois

Se eu tentasse encontrar um rótulo para minha sexualidade, seria "Assexual Hetero-romântico". Eu sou emocionalmente atraído por fêmeas, mas não sinto absolutamente nenhuma atração sexual por elas ou por qualquer outra pessoa. Uma boa forma de explicar a diferença entre os dois é conversar pela internet, onde eu posso me sentir em casa. Em um sistema de chat baseado em texto, eu posso conversar, e posso sentir conexão emocional com pessoas sem nenhuma forma da biologia se intrometer. Eu desejo companheirismo intelectual e intimidade mental.

Isto não exclui proximidade física, porém. Conversar online não é, de forma alguma, uma substituição de estar na mesma sala, ou viajar juntos, ou escalar até uma cachoeira. Mas o aspecto físico de um relacionamento que eu desejo é aquém do que a maioria das pessoas considerariam que é necessário para um relacionamento saudável. Eu sou forçado a concluir que eu provavelmente serei incapaz de formar qualquer conexão significativa e profunda com alguém sem forçar algum de nós a uma situação desconfortável - ou minha parceira será forçada a aceitar algo muito menos do que uma conexão física completa, ou eu serei forçado a fingir isto. Nenhum dos casos é aceitável para mim, já que em qualquer um deles, o relacionamento como um todo está fundamentado sobre falsos alicerces.

Assim, sou posto em uma posição difícil a respeito de minhas interações diários com outros. Eu me importo com a felicidade das pessoas, e tenho como meu objetivo melhorar as vidas das pessoas que eu encontro. Eu busco sempre ser uma influência positiva nos humores dos outros, de forma que ninguém se arrependesse de me encontrar. Porém, este objetivo é abortado pelo conhecimento de que, como um macho, se sou gentil com mulheres, sempre parecerá haver o entendimento de que estou fazendo isto somente para cortejá-las. Não me parece justo ter que andar todos os dias como uma camiseta ou plaquinha escrito Eu sou assexual, se eu estiver sendo legal com você não é para levá-la para a cama, mas não seria justo solicitar a todos que ajustem seus paradigmas de todo o gênero masculino para aqueles de nós que são assexuais.

Eu tenho tentado encontrar maneiras de abordar o tema com minhas amigas, na esperança de que eu possa ser gentil com elas sem que elas um dia esperem que eu cobre retribuição e solicite favores sexuais ou algo do tipo, mas mesmo se isto funcionar, esta cultura ainda contamina minha experiência com as pessoas aleatórias que encontro, para as quais eu desfilar por aí com uma plaquinha declarando minha ausência de sexualidade seria estranho, na melhor das hipóteses.

Quebrado e não-humano

Como meus amigos podem certificar, eu com frequência brinco a respeito de ser um robô. Eu existo, e posso percorrer a vida completamente alheio a este aspecto da humanidade que eu nunca serei capaz de entender ou mesmo compreender mais do quê uma pessoa cega não conseguiria entender ou compreender cores. Eu ainda pego-me no pensamento de que a importância que as pessoas dão ao sexo é imaginária, que o mundo inteiro está apenas seguindo o status quo. Isto alcançou um ponto onde eu estou perto de legitimamente perguntar O que é esta coisa que vocês humanos chamam de amor?.

Isto soa engraçado, e a primeira vez que eu percebi que meus amigos não pensariam que eu perguntar isto seria estranho, eu até ri sozinho. Mas então eu dei um passo para trás e me dei conta do horror por detrás disto: eu não me percebo como sendo humano.

Isto não é devido a alguma agenda anti-assexual, ou algum tipo de discurso de ódio. Não é resultado de intolerância ou mesmo de pessoas me des-humanizando. É o resultado de eu estar em uma cultura que eu não consigo entender. Toda a cultura me diz que há este aspecto fundamental de ser humano - diacho, mesmo de estar vivo - que eu não possuo. Por toda minha vida adulta, eu me identifiquei como uma máquina não-viva, o que é completamente falso.

Eu sou humano. Eu desejo relacionamentos íntimos. Eu sou uma criatura social (porém muito menos social do que a maioria), e ainda assim eu sinto-me como um alien mesmo em minha própria família. E isto, para mim, é o maior perigo. Alienação não através de intolerância, mas de uma cultura tão dedicada ao sexo que eu legitimamente vejo-me como inumano.

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Assexualidade: como funcionam a atração e a excitação?

Este post consiste de um trecho do artigo a seguir:

O trecho passou por edições de formatação visual para que fosse mais adequado ao formato de um blog.


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Se, por um lado, a noção de “orientação sexual” reproduzida pelos assexuais indica continuidade com o discurso dos especialistas, por outro, a divisão binária entre “assexuais” e “sexuais” marcaria uma ruptura com as concepções convencionais e especializadas a respeito do sexo. A relação entre a emergência da assexualidade e o saber especializado está indicada por estas e outras continuidades e rupturas. Descrevo a seguir algumas das rupturas.

Ao longo do acompanhamento dos sites e das demais produções dos assexuais, tenho percebido uma operação discursiva que toma noções usualmente empregadas no discurso especializado sobre o sexo e as decompõem em novas categorias. O procedimento pressupõe reflexividade e considerável acuidade na elaboração escrita. Um importante exemplo neste sentido se verifica na noção de “atração”.

Atração

Os assexuais discriminam a atração em modalidades variadas, fazendo ver uma partição onde comumente havia um aglomerado. Ao tratar da inclinação por um parceiro ou uma parceira, excluem desta qualquer sentido sexual:

Atração: muitos assexuais sentem atração, mas nós não sentimos a necessidade de extravasar essa atração sexualmente. Ao invés disso, nós sentimos um desejo de conhecer as pessoas, de estarmos perto delas da forma que melhor funcione para nós. Pessoas assexuais que sentem atração frequentemente se sentem atraídas por um gênero particular e se identificam como lésbica, gay, bi ou hétero.
Asexuality.org.

De forma tácita, tanto no conhecimento especializado (incluindo o das ciências sociais) como no senso mais comum, a atração pressupõe ser de tipo sexual. Inclusive, a orientação sexual é identificada segundo o reconhecimento dessa atração, seja ela por homens, mulheres ou por ambos. Na experiência dos assexuais, a atração existe, ela somente não é de tipo sexual, podendo ser estética, afetiva ou de outra ordem. A atração sexual seria uma modalidade particular, em vez de ser tomada como uma noção que engloba e determina o interesse.

Segundo suas formulações, nem a atração nem a orientação dependeriam de um sentido sexual. Para os assexuais, o afeto por um parceiro não está vinculado ao sexo, ou seja, esse afeto está grosso modo destituído do desejo sexual ou não se expressa sexualmente. Assim, a assexualidade dá cabimento a híbridos interessantes, como “homoafetivo”, “heteroafetivo”, “biafetivo” etc. Nessas combinações, os assexuais operam uma cisão na definição usual de orientação sexual: para seu entendimento, excluem seu aspecto sexual, mas preservam o componente de gênero. A inclinação de um assexual por alguém não seria sexual, mas pode ser, digo eu, “generificada”. Assim, não seria nem o desejo sexual, nem qualquer outro elemento de natureza sexual a conectá-los com seus parceiros, abrindo novas nuances e porosidades entre o que se convenciona serem as relações de amizade e as de casal. Os diferentes tipos de “atração” apresentados deslocam e destronam explicitamente o desejo sexual como componente ideal da afinidade entre um casal. Como se pode inferir a partir deste caso, a atração sexual não seria necessariamente a modalidade preponderante ou englobadora das demais na base da constituição de uma relação a dois ou da conjugalidade. Na lógica apresentada pelos assexuais, a qualificação de “sexual”, geralmente acoplada à noção de “atração”, torna-se contingente.

Excitação

Além da “atração”, o conceito de excitação, tão caro às teorias sobre a “resposta sexual humana” propalada pelos especialistas do sexo, também é revisto nas proposições dos assexuais. A apreensão a respeito é bem original, pois dissocia a excitação do desejo em relação a um dado parceiro:

Excitação: para alguns assexuais a excitação é um acontecimento bastante regular, embora ela não seja associada com o desejo de encontrar um parceiro sexual ou parceiros. Alguns irão ocasionalmente se masturbar, mas não sentem desejo de uma sexualidade a dois. Outras pessoas assexuais sentem pouca ou nenhuma excitação. Devido a que não nos importamos com o sexo, as pessoas assexuais não veem a falta de excitação sexual como um problema que deva ser corrigido e focalizam sua energia desfrutando de outros tipos de excitação e prazer.
Asexuality.org.

Na emergência da assexualidade, outra ruptura pode ser vista na crítica (tácita) à ideia corrente para os especialistas de que a prática sexual é uma expressão de uma vida saudável. A argumentação dos assexuais localiza a assexualidade fora do conjunto de disfunções sexuais e na medida em que a falta de desejo não constitui um problema para os sujeitos, não haveria razão para buscar nem uma causa nem uma cura. É importante anotar ainda que seus discursos não pretendem desacreditar a existência de problemas relacionados ao desinteresse pelo sexo que exijam a consulta a um médico ou terapeuta, existindo uma menção no site da AVEN a respeito. O que fazem, mais exatamente, é enfatizar a diferença desses casos com a assexualidade.

As descrições referentes às formulações dos assexuais apresentadas acima destacam seu aspecto mais característico, a meu ver, o trabalho de dessexualização da experiência humana, que parece não poupar nenhuma de suas dimensões. Neste sentido, a assexualidade vem a ser uma nova classe sexual às avessas.

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