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Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

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BitTorrent: como funciona

Como é uma rede torrent?

Uma rede torrent é formada por computadores normais com um certo programa instalado: um cliente de BitTorrent (exemplos: uTorrent no Windows, Transmission no Linux), tal como para acessar sites é preciso ter um cliente HTTP ("navegador web"). Neste tipo de rede, os arquivos ficam descentralizados, então a conexão não é cliente-servidor, mas par-a-par. Dizendo de outro modo, não é como as redes tradicionais, onde há um nó (um ponto) central, o servidor, com o arquivo inteiro e que o envia a todos os que não o têm e o solicitam, os clientes.

Em redes torrent, todos os pontos são pessoas normais que têm diferentes partes de diferentes arquivos, e trocam entre si, sem depender de um único nó que tenha o arquivo inteiro. Enxergando pela ótica das redes tradicionais, é como se todo computador fosse cliente e servidor ao mesmo tempo; traduzindo para a ótica torrent, cada peer (pessoa) é leecher (cliente) e seeder (servidor) de diferentes arquivos. Como os arquivos são divididos em milhares de pedacinhos - bits - que são distribuídos em forte fluxo - torrent - aleatoriamente (por padrão), foi dado este nome ao protocolo, lançado em 2001.

E onde entra o tracker?

O tracker é como um servidor que não possui os arquivos (han?!): é similar a um catálogo telefônico, apenas aponta onde estão as pessoas com os arquivos (números de IP delas). Em 2001, não havia outra forma de descobrir quem tinha os arquivos, pois o protocolo BitTorrent foi desenvolvido, por Bram Cohen, então estudante da University at Buffalo (EUA), baseado no uso de trackers. É preciso contextualizar a época para entender o motivo do que acabou se tornando uma limitação: as conexões de internet tinham baixa largura de banda, haviam poucos usuários de internet no mundo, a guerra dos direitos de cópia era fraca... Assim, não foram previstos vários problemas que se desenvolveram mais tarde por guerras judiciais contra os trackers - diminuindo a quantidade deles - e aumento gigantesco do número de usuários e da taxa de transmissão - exigindo mais trackers/trackers mais poderosos.

Os trackers acabaram virando um problema grande: eram um alvo fácil para derrubar a rede (afinal, não era tão descentralizada assim...), e os que eram públicos estavam sendo sobrecarregados (mesmo porquê não é todo mundo que quer abrir um serviço público assim, sem ganhar dinheiro com ele). Por isto, em 2005 surgiu o (Mainline) DHT, uma melhoria no serviço BitTorrent aonde parte do próprio catálogo de localização dos pares fica distribuído... com os pares. Indo além, foi criado o PEX, outra tecnologia de comunicação sem-tracker onde os próprios peers "conversam" e trocam informações sobre possíveis pares, sem depender de partes de tabelas já prontas. Assim o ponto fraco, o tracker, já não diminui a qualidade da rede.

Criptografia: ponto a melhorar no protocolo BitTorrent

O que tenho a dizer nesta seção não tem relação direta com os trackers, mas tem com a eliminação de pontos fracos que descrevi na seção anterior, e por isso vale constar:

Um ponto fraco que ainda não foi resolvido diretamente é a exposição que os peers têm: como o endereço IP de quem tem ou quer os arquivos fica sendo passado de um lado a outro sempre que alguém quer enviar ou receber o arquivo, é muito fácil um detentor de direitos de cópia se passar por leecher e pedir os IPs dos outros peers.

O protocolo BitTorrent não tem criptografia implementada, e novamente tenho que apelar à contextualização histórica: os computadores domésticos conseguiam por acaso processar criptografia em 2001? Havia preocupação com isto pelas "pessoas comuns"? Ao menos já haviam ouvido falar este nome? Como comparativo, o HTTPS, versão criptográfica do HTTP, só ganhou popularidade no começo da década de 2010 (apesar de ter sido desenvolvido entre 1994 e 2000)!

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