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Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

Bom Leitor versus Mau Leitor

Fonte: Ani Sobral Torres. Apostila "Metodologia Científica", Editora Sol, São Paulo, 2012. Unidade II, Capítulo 3: "Princípios de Metodologia Científica", Seção 3.2: "Leitura crítica".

A seguir, são apresentadas algumas dicas para leitura no contexto do mau e do bom leitor, segundo Salomon (1974).

Bom leitor Mau leitor
O bom leitor lê rapidamente e entende bem o que lê. Tem habilidades e hábitos como: O mau leitor lê vagarosamente e entende mal o que lê. Tem hábitos como:
Ler com objetivo determinado exemplo: aprender certo assunto, repassar detalhes, responder a questões. Ler sem finalidade raramente sabe por que lê.
Ler unidades de pensamento – abarca, num relance, o sentido de um grupo de palavras. Relata rapidamente as ideias encontradas numa frase ou num parágrafo. Ler palavra por palavra – pega o sentido da palavra isoladamente. Esforça‐se para ajuntar os termos para poder entender a frase. Frequentemente, tem de reler as palavras.
Tem vários padrões de velocidade ajusta a velocidade da leitura com o assunto que lê. Se ler uma novela, é rápido. Se for um livro científico, para guardar detalhes, lê mais devagar para entender bem. Só tem um ritmo de leitura – seja qual for o assunto, lê sempre vagarosamente.
Avalia o que lê pergunta‐se frequentemente: que sentido tem isso para mim? Está o autor qualificado para escrever sobre tal assunto? Está ele apresentando apenas um ponto de vista do problema? Qual é a ideia principal desse trecho? Quais seus fundamentos? Acredita em tudo que lê – para ele, tudo que é impresso é verdadeiro. Raramente confronta o que lê com suas próprias ideias, experiências ou com outras fontes. Nunca julga criticamente o escritor ou seu ponto de vista.
Possui bom vocabulário – sabe o que muitas palavras significam. É capaz de perceber o sentido das palavras novas pelo contexto. Sabe usar dicionários e o faz frequentemente para esclarecer o sentido de certos termos, no momento oportuno. Possui vocabulário limitado – sabe o sentido de poucas palavras. Nunca relê uma frase para pegar o sentido de uma palavra difícil ou nova. Raramente consulta o dicionário. Quando o faz, atrapalha‐se em achar a palavra. Tem dificuldade em entender a definição das palavras e em escolher o sentido exato.
Tem habilidades para conhecer o valor do livro sabe que a primeira coisa a fazer, quando se toma um livro, é indagar do que trata mediante o título, subtítulos encontrados na página de rosto e não apenas na capa. Em seguida, lê os títulos do autor. Edição do livro. Índice. “Orelha do livro”. Prefácio. Bibliografia citada. Só depois é que se vê em condições de decidir pela conveniência ou não da leitura. Sabe selecionar o que lê. Sabe quando consultar e quando ler. Não possui nenhum critério técnico para conhecer o valor do livro nunca ou raramente lê a página de rosto do livro, o índice, o prefácio, a bibliografia etc., antes de iniciar a leitura. Começa a ler a partir do primeiro capítulo. É comum até ignorar o autor, mesmo depois de terminada a leitura. Jamais seria capaz de decidir entre leitura e simples consulta. Não consegue selecionar o que vai ler. Deixa‐se sugestionar pelo aspecto material do livro.
Sabe quando deve ler o livro até o fim, quando interromper a leitura definitivamente ou periodicamente sabe quando e como retomar a leitura, sem perda de tempo e sem perder a continuidade. Não sabe decidir se é conveniente ou não interromper uma leitura ou lê todo o livro ou o interrompe sem critério objetivo, apenas por questões subjetivas.
Adquire livros com frequência e cuida de ter sua biblioteca particular – quando é estudante, procura os livros de textos indispensáveis e se esforça em possuir os chamados clássicos e fundamentais. Tem interesse em fazer assinaturas de periódicos científicos. Formado, continua alimentando sua biblioteca e restringe à aquisição dos chamados “compêndios”. Tem o hábito de ir direto às fontes; de ir além dos livros de texto. Não possui biblioteca particular – às vezes, é capaz de adquirir “metros de livro” para decorar a casa. É frequentemente levado a adquirir livros secundários em vez dos fundamentais. Quando estudante, só lê e adquire compêndios de aula. Formado, não sabe o que representa o hábito das “boas aquisições” de livro.
Lê assuntos vários livros, revistas, jornais. Em áreas diversas: ficção, ciência, história etc. Habitualmente, nas áreas de seu interesse ou especialização. Está condicionado a ler – sempre a mesma espécie de assunto.
Lê muito e gosta de ler acha que ler traz informações e causa prazer. Lê sempre que pode. Lê pouco e não gosta de ler acha que ler é ao mesmo tempo um trabalho e um sofrimento.
O bom leitor é aquele que não é só bom na hora da leitura – é bom leitor porque desenvolve uma atitude de vida: é constantemente bom leitor. Não só lê mas sabe ler. O mau leitor não se revela apenas no ato da leitura, seja silenciosa ou oral – é constantemente mau leitor, porque se trata de uma atitude de resistência ao hábito de saber ler.

Referência

  • SALOMON, D. V. Como fazer uma monografia: elementos de metodologia de trabalho científico. 4 ed. Belo Horizonte: Interlivros, 1974.

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