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Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

Superinteressante: maconha faz mal? Vicia?

Fonte: Denis Russo Burgierman. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Uma História Simples -- e Errada: por 40 anos acreditamos que a questão da maconha era simples e criamos regras simples para lidar com ela. Deu muito errado. Não é assim que se lida com complexidade"

Maconha mata? Não mata, nunca. Faz mal, sim, para alguns; para uns poucos, ela é perigosíssima: pode aumentar o risco de surtos psicóticos e atrapalhar muito a vida. Mas, para outros, ela faz até bem. Para uns poucos, maconha é um remédio, fundamental para viver. E, para muita gente, quando usada de maneira responsável, maconha não faz nem mal nem bem. Quimicamente, ela se revelou muito mais complexa do que se imaginava -- é uma mistura complicadíssima de dezenas de diferentes substâncias, e cada uma delas age de maneira diferente em cada pessoa. Maconha não é inerentemente má -- ela é, como qualquer objeto complexo, um vasto conjunto de coisas boas e ruins.

"Maconha não vicia"? Mito!

Fonte: Carol Castro. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Mitologia Canábica: nem tudo que se diz por aí sobre os males da maconha para a saúde é verdade. Saiba o que diz a ciência sobre algumas das afirmações mais comuns - e falsas - sobre a erva".

Cerca de 9% das pessoas que experimentam maconha acabam se tornando dependentes em algum momento da vida, segundo um estudo realizado em 2006. Essas pessoas não conseguem controlar sua vontade de fumar. O risco de dependência aumenta para 17% se o uso começa na adolescência. O estudo comparou a maconha com outras drogas e chegou ao resultado da Tabela 1.

Interromper o uso causa síndrome de abstinência em pelo menos metade dos dependentes. Quando isso acontece, os sintomas mais comuns são: ansiedade; insônia; irritabilidade; distúrbios de apetite; e depressão (nada de tremedeiras ou convulsões). Eles surgem entre o segundo e sexto dia sem a droga e desaparecem até o fim da segunda semana.

Risco de dependência
Maconha 9%
Anfetaminas 11%
Álcool 15%
Cocaína 17%
Heroína 23%
Nicotina 32%
Tabela 1.

Fonte: James Anthony, The Epidemiology of Cannabis Dependence (2006)

Mente e Cérebro - Maconha Medicinal no Brasil: CBD versus THC

Fonte: Fernanda Teixeira Ribeiro (jornalista com especialização em neurociência). Revista "Mente e Cérebro", edição nº 277, de fevereiro de 2016. Artigo Efeitos da Maconha no Cérebro.

2014: CBD

Em 2014, o óleo [de cânhamo com baixo nível de THC, mas] rico em canabidiol [CBD] foi o centro de uma batalha judicial no Brasil, pois pais de crianças com epilepsias graves que ficavam sabendo dessa alternativa de tratamento não conseguiam importar o suplemento [alimentar] dos Estados Unidos, que era barrado na alfândega porque o canabidiol pertencia à relação de susbstâncias proibidas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A disussão se estendeu até o início de 2015, quando a Anvisa finalmente transferiu o canabidiol para a lista C1, de substâncias controladas, que são possíveis de importar com prescrição médica. No mesmo período, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou o uso compassivo do CDB, isto é, a prescrição médica em casos específicos de epilepsias em crianças e adolescentes que não respondem a tratamentos convencionais.

2015: THC

Mais recentemente, em novembro de 2015, o THC tomou lugar na discussão. A Justiça do Distrito Federal determinou que a Anvisa colocasse também esse componente na lista de controlados, considerando a situação de pacientes que poderiam se beneficiar da alternativa de tratamento com a substância (documento da decisão disponível em bit.ly/1YkBD0G). A Anvisa, porém, entrou com um embargo contra a decisão, ainda não julgado até o fechamento desta edição. O órgão comunicou à imprensa que já autoriza a importação de produtos com THC, desde que "os níveis da substância não ultrapassem os de CBD".

Nesse contexto, pacientes que necessitam de medicamentos cuja dose de THC é maior ficam prejudicados. Por exemplo, o Sativex, remédio para esclerose múltipla [...], tem quantidades ligeiramente maiores de THC que de CBD. A importação desse medicamento para uso pessoal pode ser tentada por meio de pedido formal à Anvisa, que avalia o caso individualmente. Tal como era feito com os compostos ricos em CBD quando a substância ainda era proibida (e tantos pacientes tiveram de recorrer à Justiça para conseguir a autorização para importar).

Superinteressante - Alcoolismo: malefícios para a saúde

Fonte: Carol Castro. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Mitologia Canábica: nem tudo que se diz por aí sobre os males da maconha para a saúde é verdade. Saiba o que diz a ciência sobre algumas das afirmações mais comuns - e falsas - sobre a erva".

Todos os problemas são decorrentes do uso quase diário ao longo de anos, a não ser no caso do item "comportamento violento".

Sistema cardiovascular
Fator de risco importante para:
Doenças mentais
Aumenta em oito vezes a incidência de doenças psicóticas em homens.
Em mulheres, três vezes.
Gravidez
Causa síndrome alcoólica fetal, quadro que inclui retardo mental, limitações de crescimento e diversas deformações na face. Mais comum no caso de consumo pesado no primeiro trimestre de gestação, mas não há dose segura.
Fígado
Produz:
Principal causa de mais de 30% dos casos de câncer hepático.
Pâncreas
Causa de cerca de 70% dos casos de pancreatite. A versão aguda pode ser fatal.
Sistema reprodutor
Fator de risco de disfunção erétil.
Reduz a fertilidade de homens e mulheres.
Câncer
Causa comprovada de diversos tipos de câncer:
Sistema respiratório
Causa alterações nos alvéolos que podem causar síndromes respiratórias agudas em caso de pneumonia.
Comportamento violento
Pode ser relacionado à maior agressividade, especialmente em pessoas com tendência para reprimir sentimentos negativos.
Está associado à violência doméstica em diversos estudos.

Fontes

  • Robert O'Shea e outros. Aasld Practice Guidelines, Alcoholic Liver Disease (2010);
  • Arthur Klatsky. Alcohol and Cardiovascular Health (2010);
  • M. Herreros-Villanueva e outros. Alcohol Consumption on Pancreatic Diseases (2013);
  • Robert Gable. Comparison of Acute Lethal Toxicity of Commonly Abused Psychoactive Substances (2004);
  • A. Bortolotti. The Epidemiology of Erectile Disfunction and its Risk Factors (2003);
  • A.Y. Tien. Epidemiological Analysis of Alcohol and Drug Use as Risk Factors for Psychotic Experiences (1990);
  • K.R. Muthusami. Effect of Chronic Alcoholism on Male Fertility Hormones and Semen Quality (2005);
  • Jan Eggert. Effects of Alcohol Consumption on Female Fertility During an 18-Year Period (2004);
  • OMS. Alcohol and Mental Health Fact Sheet;
  • Paolo Boffetta. Alcohol and Cancer - Review (2006);
  • Thor Norström. Alcohol, Suppressed Anger and Violence (2010).

Superinteressante - maconha medicinal: aplicações

Fonte: Tarso Araujo. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Tarja Verde: cada vez mais pesquisas confirmam a utilidade da maconha para o tratamento de uma grande variedade de doenças. Apesar de a lei brasileira prever o uso medicinal, a falta de regulamentação impede sua aplicação no Brasil."

As aplicações da maconha medicinal podem ser divididas em três níveis, segundo a qualidade das evidências disponíveis em cada caso.

Nível A: recomendação baseada em consistentes evidências científicas, com testes em pacientes
Nível B: recomendação baseada em evidências científicas limitadas, com testes em pacientes
Nível C: recomendação baseada em consenso médico ou pela prática clínica, sem testes em humanos
Futuro: possíveis recomendações, em fase de pesquisa básica

Fonte: JABFM - Journal of the American Board of Family Medicine.