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Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

Anders Bateva

Clippings / recortes de não-ficção: prospecções literárias, de tudo um pouco.

Planeta - Fracking e Gás de Xisto: porquê estão sendo usados?

Fonte: Eduardo Araia. Revista Planeta, nº 491, de setembro de 2013. Artigo Esta Pedra Vai Mudar o Mundo?, originalmente patrocinado pela Chevrolet (General Motors, EUA).

Quem diria que os Estados Unidos, o maior consumidor de energia do mundo, poderiam se tornar autossuficientes em 2035? Pois esse foi o prognóstico da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) no seu relatório de 2012, o World Energy Outlook, ao analisar as transformações por que o país vem passando desde que uma rocha -- o xisto -- e um polêmico meio de extrair petróleo e gás -- o fraturamento hidráulico, mais conhecido como fracking -- ganharam peso na produção energética americana. [...]

[...]

Os norte-americanos possuem enormes reservas do mineral, mas até 2006 os métodos disponíveis para extrair combustível da rocha eram muito caros. Naquele ano, porém, empresas de petróleo e gás começaram a usar o fracking: o fraturamento hidráulico, ou fracking, é conhecido desde os anos 1940, mas nos últimos anos o aumento nos custos da exploração de petróleo e gás viabilizou economicamente seu uso. O resultado não tardou: já existem mais de 20 mil poços em operação no país, e o gás natural, que até 2000 representava 1% da produção de energia do país, saltou para 30% em 2010 e poderá chegar a 50% em 2035.

[...] Os suprimentos de gás natural agora economicamente recuperáveis do xisto nos EUA poderiam acomodar a demanda doméstica do país por gás natural nos níveis atuais de consumo por mais de 100 anos, anunciam os pesquisadores Michael McElroy e Xi Lu, da Universidade de Harvard, no artigo Fracking's Future, publicado na edição de fevereiro de 2013 da Harvard Magazine.

Embora favorável à energia renovável, o governo do presidente Barack Obama apoia[va] a produção do gás de xisto, mesmo com a controvérsia ambiental que cerca a questão, por três motivos:

  1. Em primeiro lugar, o gás natural é o menos poluente dos combustíveis fósseis, uma vantagem para um país que usa carvão e petróleo para gerar energia. A Agência Ambiental Americana (EPA, na sigla em inglês) credita a melhora geral da poluição atmosférica no país nos últimos anos ao aumento no aumento do uso do gás de xisto;
  2. Em segundo lugar, há vantagens econômicas indiscutíveis: o gás de xisto fez o preço do insumo cair nos EUA de US$ 12 para US$ 3 por milhão de BTU; para comparar, o preço do gás convencional no Brasil custa entre US$ 12 e US$ 16 por milhão de BTU (sigla para British Termal Unit, "unidade térmica britânica", medida para gás). A queda de preços faz os EUA importarem menos petróleo, explica o físico José Goldemberg, uma vez que o gás vem substituindo derivados do petróleo tanto na indústria quanto no transporte. Os americanos passaram até a exportar gás de xisto;
  3. A terceira razão é geopolítica: a autossuficiência energética livraria os EUA da dependência de fornecedores problemáticos e/ou potencialmente hostis, como os países árabes e a Venezuela. Como efeito colateral, a saída do megacomprador norte-americano baixaria os preços do petróleo e até poderia inviabilizar alguns projetos de produção, salienta Goldemberg: Até a exploração do pré-sal no Brasil poderia ser afetada pela queda dos preços produzida pelo gás do xisto.

Paraná, Brasil

O Brasil explora o xisto em escala industrial desde 1972, quando a Petrobrás abriu uma refinaria de Industrialização do Xisto, a SIX, em São Mateus do Sul (PR). A cada dia, cerca de 7 mil toneladas da rocha são retiradas do solo por técnicas de mineração, moídas e submetidas a altas temperaturas. Desse processo são obtidos diariamente 4 mil barris de petróleo, além de derivados como o enxofre.

A atividade apresenta 2 impactos ambientais salientes:

  1. processo de abertura das minas: implica a retirada da vegetação e do solo;
  2. processamento e refino: emite gases-estufa.

Lutzenberger - Agrotóxicos: origem nas guerras mundiais

Fonte: José Lutzenberger , em Coleção Universidade Livre - Ecologia: do Jardim ao Poder. 10ª edição. Capítulo "A Problemática dos Agrotóxicos".

Como surgiu e proliferou a agroquímica? Interessante é notar que ela não foi desencadeada por pressão da agricultura. A grande indústria agroquímica que impõe seu paradigma à agricultura moderna é resultado do esforço bélico da duas grandes guerras mundiais, 1914-18 e 1938-45.

A primeira deu origem aos adubos nitrogenados solúveis de síntese. A Alemanha, isolada do salitre do Chile pelo bloqueio dos Aliados, para a fabricação em grande escala de explosivos, viu-se obrigada a fixar o nitrogênio do ar pelo processo Haber Bosch. Depois da guerra, as grandes instalações de síntese do amoníaco levaram a indústria química a procurar novos mercados. A agricultura se apresentou como mercado ideal.

Da mesma maneira, ao terminar a segunda das guerras mundiais, a agricultura surge, novamente, como mercado para desenvolvimentos que apareceram com intenções destrutivas, não construtivas.

A serviço do Ministério da Guerra, químicos das forças armadas americanas trabalhavam febrilmente na procura de substâncias que pudessem ser aplicadas de avião para destruir as colheitas dos inimigos. Um outro grupo, igualmente interessado na devastação, antecipou-se a eles. Quando a primeira bomba atômica explodiu, no verão de 1945, viajava em direção ao Japão um barco americano com uma carga de fitocidas, então declarados como LN 8 LN 14, suficientes para destruir 30% das colheitas. Com a explosão das bombas, o Japão capitulou, o barco voltou. Mais tarde, na Guerra do Vietnam, estes mesmos venenos, com outros nomes, tais como "agente laranja" e agentes de outras cores, serviram para destruição de dezenas de milhares de quilômetros quadrados de floresta e de colheitas. Da mesma maneira que os físicos que fizeram a bomba, para não ter que abolir as estruturas burocráticas das quais agora dependiam, propuseram o uso pacífico da energia nuclear, os químicos que conceberam aquela forma de guerra química passaram a oferecer à agricultura seus venenos, agora chamados de herbicidas, do grupo do ácido fenoxiacético, o 2,4-D e o 2,4,5-T MCPA e outros.

Na Alemanha, entre os gases de guerra, concebidos para matar gente em massa, estavam certos derivados do ácido fosfórico. Felizmente não foram usados em combate. Cada lado tinha medo demais dos venenos do outro. Após a guerra, existindo grandes estoques e grandes capacidades de produção, os químicos lembraram-se que o que mata gente também mata inseto. Surgiram e foram promovidos assim os inseticidas do grupo parathion.

Também o DDT, que só foi usado para matar insetos, surgiu na guerra. As tropas americanas no Pacífico sofriam muito com a malária. O dicloro-difenil-tricloroetil, conhecido há mais tempo, mas cujas qualidades inseticidas acabavam de ser descobertas, passou a ser produzido em grande escala e usado com total abandono. Aplicava-se de avião em paisagens inteiras, tratava-se as pessoas com enxurradas de DDT. Depois da guerra, mais uma vez, a agricultura serviu para dar vazão aos enormes estoques sobrantes e para manter funcionando as grandes capacidades de produção que foram montadas.

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Tikopia: sustentabilidade ecológica na Polinésia

Fonte: Peter Gelderloos, livro "A Anarquia Funciona". Editora Subta. Originalmente publicado em 2010 (inglês). À venda pela Editora Monstro dos Mares.

Tikopia, uma ilha no Pacífico habitada por um povo polinésio, traz um bom exemplo de uma sociedade descentralizada e anárquica que lidou com sucesso com problemas ambientais de vida e morte. A ilha tem somente 4,66 km² de área e possui 1200 habitantes. A comunidade existe sustentavelmente há três mil anos. Tikopia é coberta por pomares-hortas que imitam as florestas úmidas naturais. À primeira vista, a maior parte da ilha parece ser coberta pela floresta, embora só tenha sobrado floresta úmida em algumas partes íngremes da ilha. Tikopia é pequena o suficiente para que todos os seus habitantes tornem-se familiares com seu ecossistema inteiro. Ela também é isolada; assim, por um longo tempo, não se pôde importar recursos ou exportar as consequências de seu estilo de vida. Cada um dos quatro clãs tem um chefe, apesar de estes não possuírem poderes coercitivos e desempenharem um papel cerimonial de guardadores da tradição. Tikopia está entre as sociedades menos estratificadas socialmente das ilhas polinésias. Por exemplo, os chefes também têm de trabalhar para produzir sua própria comida. O controle populacional é um valor comum e é considerado imoral ter mais que um certo número de filhos.

Em um impressionante exemplo do poder desses valores compartilhados coletivamente e mantidos coletivamente, por volta do ano 1600 os habitantes da ilha tomaram a decisão de interromper a criação de porcos. Eles mataram todos os porcos da ilha, mesmo que a carne suína fosse uma fonte de alimento altamente valorizada, porque sustentar os porcos causava uma pressão muito grande no meio ambiente. Em uma sociedade mais estratificada e hierarquizada, isso poderia ter sido impossível, porque a elite provavelmente forçaria os mais pobres a sofrer as consequências do seu estilo de vida, ao invés de abandonar um produto de luxo muito estimado.

Antes da colonização e da desastrosa chegada dos missionários, os métodos de controle populacional em Tikopia envolviam contracepção natural, aborto e abstinência para os mais jovens – embora este fosse um celibato compassivo que correspondia mais a uma proibição da reprodução que do sexo em si. Os tikopianos também tinham outras formas de controle populacional, como o infanticídio – o que muitas pessoas em outras sociedades considerariam inadmissível – mas Tikopia ainda nos traz um exemplo perfeitamente válido porque, com a efetividade da contracepção moderna e das técnicas abortivas, nenhum outro método é necessário para uma abordagem descentralizada do controle populacional.

O aspecto mais importante do exemplo tikopiano é seu ethos: reconhecer viver em uma ilha em que os recursos eram limitados, de modo que aumentar sua população seria equivalente a um suicídio. Outras sociedades de ilhas polinésias ignoravam essa questão e acabaram extinguindo-se. O planeta Terra, neste sentido, também é uma ilha; nessa linha, precisamos desenvolver tanto uma consciência global quanto economias localizadas, de modo que possamos evitar exceder a capacidade do solo e permanecer atentas às outras coisas vivas com as quais compartilhamos esta ilha.

Referência

Mudanças climáticas: culpa nossa?

Fonte: Roberto Giansanti. "O Desafio do Desenvolvimento Sustentável" - 6ª edição - 1998 - Atual Editora. Capítulo 4: Impactos ambientais no mundo moderno; seção "Poluição atmosférica".

Hipótese

A hipótese de intensificação do efeito estufa é bastante simples: quanto maior for a concentração de gases, maior será o aprisionamento de calor, e consequentemente, mais alta a temperatura do globo terrestre, explica Molion. No entanto, é justamente essa previsão alarmista o ponto central das discordâncias. Alguns pesquisadores questionam em que medida o aquecimento global, caso esteja ocorrendo, resulta do efeito estufa provocado pelo homem.

O CO2 é apontado como o principal responsável pelo provável aquecimento global. Trata-se do segundo gás em importância na atmosfera (atrás somente do vapor d'água) e sua concentração, embora ainda seja baixa, vem crescendo a uma taxa de 0,4% ao ano. Estima-se que são lançados 7 bilhões de toneladas de CO2 a cada ano na atmosfera, sendo cerca de 75% devido à queima de combustíveis fósseis (como petróleo e carvão mineral) e 25% pela queima de florestas, sobretudo as tropicais.

Simulações apontam que, se a quantidade de CO2 na atmosfera duplicasse, a temperatura média na Terra aumentaria entre 1,5 e 4,5°C. Essa situação poderia provocar o degelo parcial de geleiras e calotas polares, elevando o volume de água dos oceanos em até 1,5 metro e comprometendo 60% das áreas litorâneas. Também são previstas alterações nos ritmos de precipitação e umidade e a redução da biodiversidade, pois algumas espécies não resistiriam às mudanças.

Contraponto

No entanto, há controvérsias nas previsões. O único fato concreto e demonstrável é que houve um incremento de 25% nas taxas de CO2 nasa atmosfera ao longo dos últimos 150 anos, com notável acréscimo a partir dos anos 50. Atribui-se esse fato à expansão industrial pós-Segunda Guerra. Mas não se pode afirmar com segurança que esteja havendo aquecimento global. Há bons argumentos que dizem o contrário. Estaríamos entrando em um período pré-glacial, com tendência a rebaixamento das médias térmicas.

Estudos realizados por pesquisadores eutropeus e norte-americanos demonstram que o aquecimento global estaria entre 0,3°C e 0,6°C, valores situados no limite inferior das demonstrações de intensificação do efeito estufa feitas em laboratório. A década de 80 teve os cinco anos mais quentes das séries globais. Porém, ao mesmo tempo, observou-se um resfriamento sobre os oceanos Pacífico e Atlântcos de até -1,5°C e, na parte continental dos Estados Unidos, essa não foi a década mais quente do século, perdendo para a de 30 e superando por pouco a de 50. Estudos feitos também na parte continental dos Estados Unidos mostram variações térmicas de grande amplitude e períodos de pequena alteração. Por exemplo, entre 1920 e 1940, quando as atividades industriais ainda não eram tão intensas e disseminadas, houve um significativo aumento de temperatura; o período posterior, entre 1940 e 1970, apresentou sensível doiminuição das médias térmicas.

É preciso considerar que há problemas para a obtenção de dados para fazer aquelas previsões. Os métodos de aferição das temperaturas foram muito variados nos últimos 150 anos. Além disso, as estações metereológicas sofreram mudanças (de lugar, de ocupação do entorno) que comprometem alguns resultados. Naquelas que se mantiveram mais ou menos inalteradas, as variações encontradas são insignificantes. De outro lado, as experiências feitas em laboratório não captam aspectos importantes para as variações térmicas na atmosfera, como a forma e distibuição das nuvens, as correntes de ar, o ciclo hidrológico, as diferenças térmicas entre equador e pólos, etc.

Assim, se existe um aquecimento global, ele não possui distribuição uniforme na superfície da Terra. Há até mesmo lugares que têm apresentado diminuição das médias de temperatura. A hipótese de que estamos chegando ao final de um período interglacial, segundo Molion, é reforçada pelo avanço de geleiras nos pólos e invernos cada vez mais rigorosos, particularmente no Hemisfério Norte. A Pequena Idade do Gelo, ocorrida entre 1650 e 1850, pode ser também um prenúncio dessa nova fase. Deve-se levar em conta que um eventual resfriamento poderia ser até mais catastrófico do que a intensificação do efeito estufa, pela diminuição das áreas agrícolas, períodos mais secos nos trópicos e inviabilidade de ocupação das áreas de altas latitudes.

Não se pode esquecer do papel da natureza nas variações de elementos climáticos, como as mudanças nos índices de albedo (refletividade média da superfície) do planeta e no sistema El Niño-Oscilação Sul (ENOS), além de erupções vulcânicas (que podem provocar resfriamento no período subsequente à sua ocorrência) e alterações nas correntes oceânicas.

Conclusão

Assim, a única conclusão plausível em toda essa discussão, além do aumento das emissões de CO2, é que há incertezas na velocidade e no efeito global e regional do enriquecimento de gases-estufa na atmosfera. A polêmica também serve para chamar a atenção para a crescente capacidade do ser humano de realizar transformações de grande monta em curto espaço de tempo. Muitos efeitos naturais e humanos ainda precisam ser mais bem estudados.

Agricultura sustentável na China

Fonte: Roberto Giansanti. "O Desafio do Desenvolvimento Sustentável" - 6ª edição - 1998 - Atual Editora. Capítulo 6: O uso sustentável dos recursos; seção "Sistemas agrícolas sustentáveis".

Uma experiência de uso sustentável dos recursos em comunidades agrícolas foi desenvolvida na China. Nesse país, a revolução socialista de 1949 colocou o desafio de alimentar a enorme população, hoje na casa de 1,1 bilhão de habitantes. Foram implementadas então comunas agrícolas auto-suficientes. Não obstante as dificuldades impostas pela rigidez do regime político, muitas delas puderam desenvolver práticas sustentáveis.

Em comunas de até 90 mil habitantes situadas nas planícies orientais do país, foram criados sistemas integrados de culturas agrícolas, pecuária, psicultura e formas renováveis de energia. Cada equipe de produção, composta em média por 90 famílias, produz toda a energia, os alimentos e os fertilizantes necessários, colocando o excedente nas cidades vizinhas. Nada é desperdiçado: folhas de bananeira e fibras de cana-de-açúcar servem de alimento para os peixes e de combustível para estufas de gás biológico; as estufas e os biodigestores, que funcionam com excrementos humanos e do gado e com vegetais (como os jacintos aquáticos), decompõem a matéria orgânica, gerando o gás metano, utilizado na cozinha e na geração de energia elétrica.

Essa opção energética diminuiu a pressão sobre as matas nativas e as plantadas para a obtenção de lenha. Desde 1968, uma rede de 90 mil miniusinas hidrelétricas complementam a demanda de energia no país. De custo relativamente mais baixo, dispensam as redes de distribuição da energia elétrica produzida e são ideais para abastecer indústrias rurais, escolas e hospitais.

A criação de peixes é realizada em tanques com espécies que se alimentam de plantas aquáticas, folhas de cana, ervas e algas, na parte superficial, e outras que absorvem resíduos, na parte inferior. Esse pequeno ecossistema funciona em águas residuais, usando-se o limo resultante como fertilizante. O sistema rende, em média, cerca de 4,5 toneladas de peixes ao ano por hectare, com índice de proteínas cinco vezes maior do que a pesca convencional. Já nas culturas agrícolas, a suficiência da mão-de-obra permite o cultivo em fileiras alternadas, com benefícios simbióticos para as plantas e para o solo. Algumas leguminosas, por exemplo, suprem o nitrogênio exigido pela cultura de trigo.

O sistema de comunas, se não permitiu uma superabundância, propiciou níveis razoáveis de alimentação para a gigantesca população da China. Graças ao sistema de irrigação construído, o país é responsável por um terço da produção mundial de arroz, o equivalente à produção conjunta da Índia, Indonésia, Bangladesh, Japão e Tailândia. Os chineses produzem 2 milhões de toneladas de peixes de água doce ao ano, em 6 milhões de toneladas anuais no mundo.

Assim, mesmo considerando a eventual perspectiva de desestruturação do sistema de comunas pela abertura econômica da China (com a criação das Zonas Econômicas Especiais, que demandam mão-de-obra), permanece a importante experiência de uso sustentável dos recursos. Enfatizando o uso intensivo da mão-de-obra, o país dispensa a maquinaria cara e inacessível. Ao optar por fontes alternativas de energia, elimina a dependência dos combustíveis fósseis. Os chineses desenvolveram também outras práticas sustentáveis, como a seleção de variedades de sementes para o cultivo, o controle biológico de pragas e o terraceamento para conservação dos solos.

O que é o Dieselgate (escândalo das emissões Diesel da Volkswagen)?

Resumido de: Wikipedia, the free encyclopedia.

Iniciado em 18/09/2015, quando a EPA dos EUA emitiu uma notificação de violação para o Volkswagen Group. Foi constatado pela agência que a Volkswagen havia programado motores Diesel TDI, intencionalmente, para ativar alguns controles de emissões somente durante os testes de emissões em laboratório. Tal fraude fazia os veículos cumprirem as normas de emissões de NOx os EUA, ao mesmo tempo em que, em condições reais de uso, emitiam até 40x além do permitido. Tal programação fraudulenta foi aplicada em cerca de 11 milhões de carros mundialmente, sendo 500 mil deles nos EUA, entre 2009 e 2015.

O caso todo veio à tona devido a discrepâncias nos resultados das emissões dos veículos nos EUA e na Europa, conforme medido de forma independente por múltiplos indivíduos ao longo do tempo, e compilado por estudo encomendado pelo ICTT (Concelho Internacional em Transporte Limpo). As conclusões foram entregues para o CARB (Autoridade Californiana de Poluição Aérea) em maio de 2014.

Múltiplas autoridades reguladoras, de vários países, abriram investigação contra a Volkswagen. As ações da empresa perderam 1/3 do valor imediatamente, o CEO Martin Winterkorn se demitiu, e vários diretores foram suspensos.

O caso da Volkswagen teve o efeito interessante de revelar que os outros fabricantes estavam fazendo a mesma burla, e até com muito mais intensidade... Outro estudo, encomendado pela ICTT, mostrou que Volvo, Renault, Jeep, Hyundai, Citroën, e FIAT, todos fabricam carros Diesel que, em condições reais, poluem mais que o permitido, e mais que a Volkswagen. Isto pode levar a novos escândalos... O da Volkswagen continua sendo o principal, no momento.

Houve um ponto debatido, nisto tudo, de que maquinário controlado por software seria geralmente propenso a abusos, e que a solução seria abrir o código-fonte para inspeção geral pelo público.

Dinheiro

Em abril de 2017, um juiz federal decretou multa de US$2.8 bilhões para a Volkswagen, por preparar motores Diesel diretamente para o objetivo de fraudar testes federais de emissões. A Volkswagen, em algum momento, anunciou planos de gastar US$7,3 bilhões na retificação dos problemas de emissões, incluindo campanha de recall dos veículos em fraude. O valor planejado depois foi ampliado para US$18.32 bilhões.

Licença Creative CommonsO texto deste post de Anders Bateva está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional. Deriva-se do artigo na Wikipedia anglófona Volkswagen Emissions Scandal

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