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Anders Bateva

Nonfiction Litblog. Fichamentos / clippings / recortes de não-ficção. Prospecções literárias em: Ciências Sociais; Informática; e Ciências Ambientais.

Anders Bateva

Nonfiction Litblog. Fichamentos / clippings / recortes de não-ficção. Prospecções literárias em: Ciências Sociais; Informática; e Ciências Ambientais.

Superinteressante - drogas mais usadas no mundo: total de usuários e risco de dependência

Donde se demonstra que a criminalização de uma droga não se baseia no risco de dependência (perigo à saúde).

Total de usuários

Tarso Araujo. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Nos Quatro Cantos: apesar de proibida há mais de 50 anos, a Maconha é produzida e consumida em quase todo o mundo"
Total de usuários de cada droga ilícita no mundo (em milhões)
Maconha 180
Anfetaminas 34
Opioides* 32
Ecstasy 19
Cocaína e Crack 17
Opiáceos* 16
Tabela 1.

* Opiáceos são o ópio e seus derivados naturais (morfina e Heroína). Opioides também incluem medicamentos sintéticos que imitam a ação dos opiáceos.

Risco de dependência

Carol Castro. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Mitologia Canábica: nem tudo que se diz por aí sobre os males da Maconha para a saúde é verdade. Saiba o que diz a ciência sobre algumas das afirmações mais comuns - e falsas - sobre a erva".
Risco de dependência de algumas drogas lícitas e ilícitas
Maconha 9%
Anfetaminas 11%
Álcool 15%
Cocaína 17%
Heroína 23%
Nicotina 32%
Tabela 2.

Superinteressante: maconha faz mal? Vicia?

Denis Russo Burgierman. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Uma História Simples -- e Errada: por 40 anos acreditamos que a questão da maconha era simples e criamos regras simples para lidar com ela. Deu muito errado. Não é assim que se lida com complexidade"

Maconha mata? Não mata, nunca. Faz mal, sim, para alguns; para uns poucos, ela é perigosíssima: pode aumentar o risco de surtos psicóticos e atrapalhar muito a vida. Mas, para outros, ela faz até bem. Para uns poucos, maconha é um remédio, fundamental para viver. E, para muita gente, quando usada de maneira responsável, maconha não faz nem mal nem bem. Quimicamente, ela se revelou muito mais complexa do que se imaginava -- é uma mistura complicadíssima de dezenas de diferentes substâncias, e cada uma delas age de maneira diferente em cada pessoa. Maconha não é inerentemente má -- ela é, como qualquer objeto complexo, um vasto conjunto de coisas boas e ruins.

"Maconha não vicia"? Mito!

Carol Castro. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Mitologia Canábica: nem tudo que se diz por aí sobre os males da maconha para a saúde é verdade. Saiba o que diz a ciência sobre algumas das afirmações mais comuns - e falsas - sobre a erva".

Cerca de 9% das pessoas que experimentam maconha acabam se tornando dependentes em algum momento da vida, segundo um estudo realizado em 2006. Essas pessoas não conseguem controlar sua vontade de fumar. O risco de dependência aumenta para 17% se o uso começa na adolescência. O estudo comparou a maconha com outras drogas e chegou ao resultado da Tabela 1.

Interromper o uso causa síndrome de abstinência em pelo menos metade dos dependentes. Quando isso acontece, os sintomas mais comuns são: ansiedade; insônia; irritabilidade; distúrbios de apetite; e depressão (nada de tremedeiras ou convulsões). Eles surgem entre o segundo e sexto dia sem a droga e desaparecem até o fim da segunda semana.

Risco de dependência
Maconha 9%
Anfetaminas 11%
Álcool 15%
Cocaína 17%
Heroína 23%
Nicotina 32%
Tabela 1.

Fonte: James Anthony, The Epidemiology of Cannabis Dependence (2006)

Mente e Cérebro - Maconha Medicinal no Brasil: CBD versus THC

Fernanda Teixeira Ribeiro (jornalista com especialização em neurociência). Revista "Mente e Cérebro", edição nº 277, de fevereiro de 2016. Artigo Efeitos da Maconha no Cérebro.

2014: CBD

Em 2014, o óleo [de cânhamo com baixo nível de THC, mas] rico em canabidiol [CBD] foi o centro de uma batalha judicial no Brasil, pois pais de crianças com epilepsias graves que ficavam sabendo dessa alternativa de tratamento não conseguiam importar o suplemento [alimentar] dos Estados Unidos, que era barrado na alfândega porque o canabidiol pertencia à relação de susbstâncias proibidas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A disussão se estendeu até o início de 2015, quando a Anvisa finalmente transferiu o canabidiol para a lista C1, de substâncias controladas, que são possíveis de importar com prescrição médica. No mesmo período, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou o uso compassivo do CDB, isto é, a prescrição médica em casos específicos de epilepsias em crianças e adolescentes que não respondem a tratamentos convencionais.

2015: THC

Mais recentemente, em novembro de 2015, o THC tomou lugar na discussão. A Justiça do Distrito Federal determinou que a Anvisa colocasse também esse componente na lista de controlados, considerando a situação de pacientes que poderiam se beneficiar da alternativa de tratamento com a substância (documento da decisão disponível em bit.ly/1YkBD0G). A Anvisa, porém, entrou com um embargo contra a decisão, ainda não julgado até o fechamento desta edição. O órgão comunicou à imprensa que já autoriza a importação de produtos com THC, desde que "os níveis da substância não ultrapassem os de CBD".

Nesse contexto, pacientes que necessitam de medicamentos cuja dose de THC é maior ficam prejudicados. Por exemplo, o Sativex, remédio para esclerose múltipla [...], tem quantidades ligeiramente maiores de THC que de CBD. A importação desse medicamento para uso pessoal pode ser tentada por meio de pedido formal à Anvisa, que avalia o caso individualmente. Tal como era feito com os compostos ricos em CBD quando a substância ainda era proibida (e tantos pacientes tiveram de recorrer à Justiça para conseguir a autorização para importar).

Superinteressante - maconha medicinal: aplicações

Tarso Araujo. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Tarja Verde: cada vez mais pesquisas confirmam a utilidade da maconha para o tratamento de uma grande variedade de doenças. Apesar de a lei brasileira prever o uso medicinal, a falta de regulamentação impede sua aplicação no Brasil."

As aplicações da maconha medicinal podem ser divididas em três níveis, segundo a qualidade das evidências disponíveis em cada caso.

Nível A: recomendação baseada em consistentes evidências científicas, com testes em pacientes
Nível B: recomendação baseada em evidências científicas limitadas, com testes em pacientes
Nível C: recomendação baseada em consenso médico ou pela prática clínica, sem testes em humanos
Futuro: possíveis recomendações, em fase de pesquisa básica

Fonte: JABFM - Journal of the American Board of Family Medicine.