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Anders Bateva

Nonfiction Litblog. Fichamentos / clippings / recortes de não-ficção. Prospecções literárias em: Ciências Sociais; Informática; e Ciências Ambientais.

Anders Bateva

Nonfiction Litblog. Fichamentos / clippings / recortes de não-ficção. Prospecções literárias em: Ciências Sociais; Informática; e Ciências Ambientais.

PEC 32/2020 (Reforma Administrativa): motivos / Ministério da Economia

Ficha de Tramitação da PEC 32/2020 ("Reforma Administrativa")

Paulo Roberto Nunes Guedes, Ministro da Economia. EM nº 00047/ME: PEC - REFORMA ADMINISTRATIVA (V4), 2 de setembro de 2020.

Apesar de contar com uma força de trabalho profissional e altamente qualificada, a percepção do cidadão, corroborada por indicadores diversos, é a de que o Estado custa muito, mas entrega pouco. O país enfrenta, nesse sentido, o desafio de evitar um duplo colapso: na prestação de serviços para a população e no orçamento público. A estrutura complexa e pouco flexível da gestão de pessoas no serviço público brasileiro torna extremamente difícil a sua adaptação e a implantação de soluções rápidas, tão necessárias no mundo atual, caraterizado por um processo de constante e acelerada transformação. Torna-se imperativo, portanto, pensar em um novo modelo de serviço público [...].

[...]

Estudo do Banco Mundial (Um Ajuste Justo: Análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil), publicado em 2017, já evidenciava que o gasto público é engessado em categorias como folha de pagamento e previdência social, deixando pouco espaço para despesas discricionárias e de investimento. Mais recentemente, em outubro de 2019, novo estudo do mesmo Banco (Gestão de Pessoas e Folha de Pagamentos no Setor Público Brasileiro: o que os dados dizem), ao analisar dados sobre a folha de pagamentos do Governo Federal e de seis Governos Estaduais, corroborou a existência de uma série de distorções nos gastos com pessoal. [...] O gasto público com pessoal [...] representa a segunda maior despesa da União, atrás apenas da Previdência.

INSS - Concurso 2013: Analista do Seguro Social (FUNRIO)

Por cargo e superintendência: notas de corte (classificação e CR); concorrência; vagas.



01 - ASC - ESTAT


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1   0  
2   0  
3   0  
4   0  
5   0  
6 77 82 75 5 68 23

02 - ASC - CONTA


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 716 86 86 2 80 11
2 649 85 85 3 81 16
3 893 87 85 2 81 14
4 823 91 85 6 82 27
5 522 87 84 3 79 14
6 197 86 83 7 79 32

03 - ASC - DIREI


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 1217 102 91 9 87 40
2 2284 107 95 4 89 24
3 2456 97 93 3 89 14
4 3680 100 96 3 89 18
5 1660 93 91 3 87 16
6 762 98 91 5 86 22

04 - ASC - ADMIN


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 1082 86 81 6 76 27
2 964 84 81 6 77 28
3 840 84 81 6 77 28
4 2207 83 82 3 77 15
5 1036 81 77 3 75 14
6 265 84 76 24 74 74

05 - ASC - CIVIL


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 144 73 73 3 66 14
2 150 77 73 6 68 30
3 153 85 75 6 70 30
4 252 76 74 5 68 36
5 110 77 70 5 65 27
6 58 79 77 2 66 9

06 - ASC - MECAN


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 143 80 78 2 67 10
2 154 92 76 2 70 9
3 192 81 80 2 74 11
4 155 86 74 3 65 20
5 51 81 76 4 64 18
6 27 81 81 1 66 5


07 - ASC - ELETR


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 175 78 77 2 70 11
2 189 86 83 2 74 16
3 213 86 82 2 77 10
4 199 75 75 3 71 15
5 79 80 75 3 69 15
6 28 76 76 1 63 3

08 - ASC - TELEC


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 102 70 70 1 62 5
2 133 74 74 1 64 6
3 92 76 74 2 69 12
4 106 74 74 1 68 5
5 385 69 69 1 62 3
6 201 74 74 1 64 5

09 - ASC - SEGUR


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 298 76 76 1 72 7
2 335 81 81 1 74 5
3 295 86 84 2 75 12
4 516 81 81 1 75 7
5 186 78 78 1 74 5
6 85 78 78 1 67 5

10 - ASC - ARQUI


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 369 76 76 1 68 6
2 265 76 74 2 71 9
3 511 76 76 1 70 5
4 365 77 76 2 69 9
5 181 76 76 2 65 9
6 131 77 77 1 69 5

11 - ASC - TEINF


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 607 78 78 2 72 10
2 574 83 79 2 73 13
3 569 87 84 2 74 9
4 613 91 78 2 74 11
5 378 84 76 2 70 9
6 196 84 77 15 70 50

12 - ASC - TERAP


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 243 78 76 2 71 15
2 144 82 80 4 74 18
3 188 80 78 2 71 12
4 258 76 74 2 72 10
5 125 77 77 2 71 9
6 69 74 74 1 71 5


13 - ASC - PEDAG


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 1922 80 80 1 77 5
2 1885 87 87 1 78 5
3 1615 78 78 1 75 5
4 3888 80 80 1 76 5
5 1919 73 73 1 72 6
6 736 80 78 2 74 11

14 - ASC - PSICO


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 485 73 70 6 66 25
2 676 71 70 3 67 18
3 733 76 71 3 67 15
4 846 77 72 4 68 20
5 385 74 70 4 65 21
6 201 74 73 2 65 10

15 - ASC - JORNA


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1   0  
2   0  
3   0  
4 981 82 82 1 79 5
5   0  
6 590 78 78 1 75 6

16 - ASC - PUBLI


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1   0  
2   0  
3   0  
4   0  
5   0  
6 911 80 80 1 72 5

17 - ASC - FISIO


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1 690 74 72 3 66 19
2 536 76 752 4 71 18
3 514 74 71 4 67 20
4 857 78 71 5 68 28
5 492 75 71 4 66 23
6   0  

18 - ASC - LETRA


S C/V MÁX MÍN V CR ##
1   0  
2   0  
3   0  
4   0  
5   0  
6 2612 91 91 1 88 7

Haiti: Louverture ∈ independência

Luis Pellegrini, revista Planeta nº 509, de maio de 2015. Artigo Tour da Liberdade - A Rota das Abolições, lançada a partir de um projeto da Unesco, na província da Franche-Comté, é hoje um dos mais estimulantes itinerários turísticos da França..

[...] para os interesses da Rota das Abolições, o personagem que mais importa na cidade [de Besançon, capital da Franche-Comté] é François-Dominique Toussaint Louverture, negro nascido escravo em 20 de maio de 1743, no Caribe francês, e que morreu prisioneiro em 8 de abril de 1803 no Forte de Joux, imensa fortaleza de pedra construída em La Cluse-et-Mijoux, perto de Besançon. Louverture foi o maior líder da Revolução haitiana e, a seguir, governador de Saint Domingue, o nome do Haiti na época. Primeiro líder negro a vencer as forças de um império colonial europeu em seu próprio país, ele impôs a Napoleão Bonaparte a sua primeira derrota militar. Pela sua bravura, foi apelidado “Napoleão Negro”.

Líder na luta para a liberação dos escravos haitianos, ele se tornou uma figura histórica importante no movimento de emancipação dos negros na América. Iniciados em 1791, os conflitos tinham à frente Louverture e, ao fundo, os incêndios nos canaviais. Em 1794, quando o governo francês aboliu a escravidão nas colônias, os haitianos já tinham conquistado sua liberdade.

O Haiti era, porém, a mais lucrativa colônia francesa, e o fim da escravatura desagradou a Napoleão. Ele enviou à colônia seu cunhado, Charles Leclerc, com uma intenção declarada (depor Louverture) e outra secreta (restaurar a escravidão na ilha). Graças a com­plôs e traições, Leclerc prendeu Louverture. Ele e sua família foram levados para a França e encarcerados. Louverture morreu de pneumonia, em 1803, e foi enterrado sem caixão em uma gruta embaixo da capela da prisão. A masmorra onde passou seus últimos meses é um ponto de peregrinação obrigatório para quem estuda as ações abolicionistas.

Conhecimento ⩼ opinião acertada / Platão

Platão. Great Dialogues of Plato translated by W.H.D. Rouse. New American Library - 1984. Diálogo MENO (Menon), 97A--98D.
Platão: idoso barbudo pensativo no Bosque Academe, onde ao fundo vê-se a Academia fundada por ele.
Séc. XX Roger Payne

SOCRATES: If someone knows the way to Larissa, or where you will, and goes there and guides others, will he not guide rightly and well? Well, what of one who has never been there, and does not know the way; but if the he has a right opinion as to the way, won't he also guide rightly? And as so long as he has right opinion about that of which the other has knowledge, he will be quite as good a guide as the one who knows, although he does not know, but only thinks, what is true. Then, true opinion is no worse guide than wisdom, for rightness of action [...]. We said then that wisdom alone guides right action; but really, true opinion does the same. Then right opinion is no less useful than knowledge.

MENON: Yes, it is less useful; for he who has knowledge would always be right, he who has right opinion, only sometimes.

SOCRATES: What! Would not he that has right opinion always be right as long as he had right opinion?

MENON: Oh, yes, necessarily, I think. This being so, I am surprised, Socrates, why knowledge is ever more valued than right opinion, and why they are two different things.

[...]

SOCRATES: For the true opinions, as long as they stay, are splendid and do all the good in the world; but they will not stay long -- off and away they run out of the soul of mankind, so they are not worth much until you fasten them up with reasoning of cause and effect. [...] When they are fastened up, first they become knowledge, secondly, they remain; and that is why knowledge is valued more than right opinion, and differs from right opinion by this bond. Well, I speak by conjecture, not as one who knows; but to say that right opinion is different from knowledge, that, I believe, is no conjecture in me at all. That I would say I know; there are few things I would say that of, but this I would certainly put down as one of those I know.

Opinion in good man is knowledge in the making. -- Milton, Areopagitica.

Altruísmo existe?

Renata Valério de Mesquita, revista Planeta nº 510, de junho de 2015. Artigo Salvação pelo altruísmo - Filho do filósofo francês Jean-François Revel, o monge budista Matthieu Ricard propõe o altruísmo como ferramenta mundial para reverter a degradação do homem e da natureza.

Planeta – Muitas pessoas defendem que se você se sente bem por ser altruísta, quer dizer que, no fundo, é egoísta.

Ricard – Já usaram de todos os argumentos para tentar provar que só existe egoísmo no mundo, mas não tem sentido. Todos os estudos mostram que quando se faz o bem, sentir-se bem é um efeito colateral, e não a razão de fazer o bem. Se alguém pula no trilho do trem para salvar alguém, não está pensando “vou me sentir tão bem quando eu salvar essa pessoa”; ele pode morrer também. Esse efeito colateral só se dá quando sua principal intenção é ajudar o outro. Se sua atitude altruísta não for genuína, torna-se um sacrifício para você. É como um fogo que queima e não produz calor. A natureza do fogo é produzir calor. Claro que as pessoas não são 100% do tempo altruístas. Mas é erro pensar que só existe egoísmo. Existe altruísmo numa larga escala, que nós costumamos ignorar. Os olhares sempre se voltam para o individualismo e a violência, principalmente na mídia, e isso causa uma distorção.

Guerra Civil do Congo ∩ componentes eletrônicos

Revista Planeta, edição nº 499, de junho de 2014. Artigo A Guerra do Coltan.

Um minério pouco conhecido ajuda a explicar a guerra civil que devasta a República Democrática do Congo desde 1998, com quase 6 milhões de mortos – a chamada “Grande Guerra Africana”. Apelidado de “ouro cinzento”, o coltan – abreviatura de columbita e tantalita – contém nióbio e tântalo, usados em aparelhos eletrônicos, como celulares e GPS. O subsolo do Congo tem ouro, cobalto, cobre, diamante e 64% das reservas mundiais do coltan, mas o país quase não desfruta dessas riquezas. A maioria das minas está na região oriental, onde o Exército combate rebeldes apoiados pelas vizinhas Ruanda, Uganda e Burundi. Esses três países foram acusados de contrabandear coltan congolês pelo Conselho de Segurança da ONU – que enviou tropas para a região [...].

O minério é extraído artesanalmente, sob controle de dezenas de milícias armadas diferentes. A operação gera recursos a garimpeiros e ex-agricultores que [em 2014 ganhavam] até US$50 por semana, cinco vezes mais do que obteriam no cultivo. Entretanto, a extração está erodindo a terra e poluindo lagos e rios, além de intensificar a matança de gorilas usados para alimentar mineradores. Cerca de 125 empresas globais [em 2014 estavam] ligadas ao coltan do Congo, segundo a ONU. Por causa da ilegalidade da extração, muitas, como a Cabot Corp., já procuram outras fontes do minério. Mas boa parte persiste sustentando a prática predatória.

Sobre baixa autoestima

Steven Carter & Julia Sokol. Os segredos das mulheres inteligentes: aprenda a se valorizar e a evitar relacionamentos destrutivos. Editora Sextante, 2010. Capítulo 10: Limites claros protegem a autoestima.

Estabelecer limites claros significa decidir de que forma você quer levar sua vida. Você tem o poder de escolha sobre como e com quem deseja passar seu tempo. O segredo para estabelecer limites é fácil: tudo o que você precisa fazer é aprender quando dizer "sim" e quando dizer "não".

Você deve dizer um estusiasmado "sim" àquelas situações que vão colocar sua vida no rumo que você deseja e um "não" definitivo a tudo que irá afastá-la[(o)] dessa direção. Vai dizer "sim" às pessoas que demonstram ser cuidadosas, amáveis e colaboradoras e "não" àquelas que se mostram capazes de feri-la[(o)] de alguma maneira. [...]

Júlia, por exemplo, tem um problema comum associado à baixa autoestima: ela não sabe dizer "não". Por isso, não consegue priorizar o próprio tempo e a própria energia. Isso não significa que ela seja uma segunda Madre Teresa de Calcutá, porque não se dedica aos pobres nem às crianças carentes. Ela gasta todo o seu tempo ajudando amigas consumistas, namorados complicados e parentes egoístas. Para ela, os interesses das outras pessoas sempre vêm em primeiro lugar. Júlia passa tanto tempo agradando os outros e dizendo "sim" ao que lhe pedem que, algumas vezes, sente-se como se não existisse. Todos a amam e seu telefone nunca para de tocar. Quem não adoraria ter uma amiga que sempre se relega ao segundo plano?

[...]

Júlia tem uma dúzia de motivos diferentes para explicar seu comportamento. Ela justifica o mau casamento dizendo que não teve coragem de recusar o pedido do então namorado para não ferir os sentimentos dele. Também sentiu medo de que ninguém mais a pedisse em casamento. Ela admite que coloca as necessidades dos outros -- por mais triviais que sejam -- antes das suas porque quer que todos gostem dela. Júlia teme perder os amigos se parar de permitir que eles a usem como quiserem. Além disso, ela tem receio de que, ao dizer "não", nunca mais tenha outra chance de dizer "sim". É fácil perceber que ela não reconhece o próprio valor.

Aprender a estabelecer limites é um passo fundamental para a construção da autoestima. Esses limites mostram às pessoas que você se ama e se respeita. [...] As [pessoas] inteligentes sabem que, quando estabelecem limites conscientes em suas vidas, precisam estar dispostas a abrir mão daquilo que não é bom para elas. Sim, você pode perder alguns[/algumas] amigo[(a)]s egoístas e, sim, pode perder alguns[/algumas] [parceiro(a)s] tóxico[(a)]s [...]. [Contudo], você estará abrindo espaço para relações melhores e mais [humanamente] enriquecedoras.

Steven Carter & Julia Sokol. Os segredos das mulheres inteligentes: aprenda a se valorizar e a evitar relacionamentos destrutivos. Editora Sextante, 2010. Capítulo 11: A construção da autoestima é um trabalho em equipe.

Até mesmo os[/as] maiores atletas do mundo podem enfrentar uma série de derrotas se não tiverem equipes de apoio. [...] Se você quiser se sentir bem consigo mesma[(o)], cerque-se de um time de pessoas positivas que gostem de você e a[/o] tratem com respeito e delicadeza.

Em geral, a [pessoa] que tem problemas de autoestima cresceu em uma família que não lhe ofereceu o apoio e a orientação de que precisava. Ela pode ter tido um irmão que a provocava, um pai que a ignorava, uma irmã que a invejava, uma mãe que a criticava. Pode ter vivido cercada de gente que a levava a acreditar que nada do que fazia era bom o bastante. Agora, na idade adulta, essa [pessoa] só se sente confortável nesse tipo de ambiente -- tão confortável que, sem perceber, procura o mesmo perfil de pessoas para serem seus[/suas] amigo[(a)]s e parceiro[(a)]s romântico[(a)]s.

Muitas vezes são justamente os amigos mais íntimos que têm as mesmas atitudes negativas que fazem com que ela se lembre da infância; outras vezes são os colegas de trabalho ou o chefe. Com frequência, os membros da família parecem não conseguir interromper a mesma cantilena destrutiva; ou então quem faz isso é o homem[/a mulher] que ela ama.

Não queremos ser repetitivos, mas é importante frisar que a [pessoa] com baixa autoestima tende a aceitar muito menos do que merece e acaba procurando companheiro[(a)]s frio[(a)]s, crítico[(a)]s, instáveis ou agressivo[(a)]s que reproduzem as experiências negativas de sua infância. Essas escolhas atrapalham sua luta por uma visão mais tolerante de si mesma[(o)]. São sujeito[(a)]s assim que a derrubam -- muitas vezes, com extrema sutileza -- sempre que você está tentando se levantar. Pode não ser intencional; pode ser simplesmente o jeito dele[(a)]s. Os motivos não importam -- ele[(a)]s a[/o] prejudicam, e isso é inaceitável.

Ninguém deseja ter pessoas nocivas em sua vida, mas muitas [pessoas] não conseguem diferenciar os amigos de verdade dos destrutivos. Estão tão acostumadas a lidar com indivíduos negativos que nem sequer são capazes de perceber que lhe fazem mal. A maneira como eles falam e agem é tão familiar que a situação parece natural [...].

Para aumentar sua autoestima, você deve analisar com cuidado aqueles que estão à sua volta. Pergunte a si mesma[(o)]: essas pessoas estão me ajudando a crescer e a alcançar meus objetivos? Ou estão me puxando para baixo? Evite pessoas que tenham um impacto negativo sobre sua autoestima e procure encontrar amigos melhores, que a respeitem e apoiem.

Decida agora mesmo que vai parar de estender um tapete vermelho para homens nocivos e amigas "mesquinhas". Algumas dessas pessoas deverão ser avisadas de que você não vai mais tolerar sua negatividade. Outras terão que ser mantidas a uma distância maior, onde possam causar menos mal. E outras, ainda, deverão ser expulsas do seu time!

E quanto aos parentes? Sabemos que você não pode se livrar deles, mas pode aprender a não levá-los tão a sério. Mude seus hábitos e comece a passar menos tempo com quem lhe faz mal. Se seus familiares não apreciam o que você faz por eles e não sabem retribuir à altura, pare de tentar agradá-los. Não vai dar certo. Toda vez que você deseja fazer algo maravilhoso por alguém que não tenha valorizado seus esforços no passado, obrigue-se a parar. Em vez disso, faça algo maravilhoso para si mesma[(o)].

É verdade que não podemos escolher nossa família, mas podemos escolher nossos amigos. Escale seu time selecionando os membros a dedo! Convoque pessoas que saibam transmitir gentileza, aprovação e incentivo -- aquelas que reflitam o que há de melhor em você e tudo o que você deseja se tornar.

Estado Liberal ≠ Estado Socialista / Instituto Liberal

Alberto Oliva. Entre o Dogmatismo Arrogante e o Desespero Cético: a Negatividade como Fundamento da Visão de Mundo Liberal, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1993. Capítulo IV: "A Concepção Negativa de Estado".

É comum também privilegiar-se o Estado contra o indivíduo, invocando-se a existência de um suposto interesse público. Se, por interesse público, entendemos a administração da res publica, a provisão de serviços que não têm (ao menos por ora) como ser oferecidos pelo mercado e a assistência aos que estão verdadeiramente impossibilitados de ter acesso ao básico (sobretudo, saúde e educação), então não cerceará a perseguição de interesses privados.

O problema é que, normalmente, interesse público é uma expressão usada de forma vaga para encobrir, via mediação do aparato de Estado, manhosas manobras de políticos em prol de políticas que atendem apenas a interesses setoriais, por mais que esses setores façam parte da maioria. Decisões referentes a políticas públicas são tomadas a partir de interesses competidores, e não de um pretenso interesse público sacrossanto.

[...]

Mesmo que o Estado tentasse convencer o indivíduo de que é possuidor de conhecimento superior ao dele, isto não deveria ser suficiente para que abrisse mão de seu mais caro patrimônio -- a liberdade. Isto porque a liberdade poderia dar condições potenciais a que o indivíduo buscasse o conhecimento que ainda não tem, ao passo que submeter-se ao conhecimento/poder do Estado significa ter de abrir mão da perseguição do que ainda não tem. O indivíduo, senhor de seus movimentos, recusa o paternalismo da autoridade que lhe predefine o que deve buscar. Prefere tentativamente procurar seu lugar no mundo das relações sociais. Daí a liberdade ser o processo que nos permite tentarmos ser o que ainda não somos e buscar o que ainda não temos: só livres poderemos alcançar o que ainda nos falta.

Anarquismo ∌ sectarismo / José Oiticica

José Oiticica. Publicado no jornal Ação Direta em 1929. Republicado no zine Contra o Sectarismo, à venda na Editora Monstro dos Mares.

O verdadeiro anarquista, penso eu, aquele que se libertou totalmente do preconceito sectarista, colabora em todos os grupos, atua em qualquer tendência. Mais ainda, coopera com os não-anarquistas onde quer que a ação deles incremente a oposição revolucionária.

Assim,

Não proceder assim, seria confirnar-se ao sectarismo e negar, nos atos, a doutrina anarquista, essencialmente anti-sectária.

Todos os homens não podem ver as coisas do mesmo modo, nem resolver os problemas pelo mesmo processo. [...] Seja, pois, cada tendência livre na execução do seu modo de entender a solução [para a transformação social]. Todas as águas afluentes irão dar na mesma foz.

Pergunta-se:

  1. Nesse conceito de "verdadeiro anarquista", existe espaço para o boicote?
  2. Devido os boicotadores se recusarem a "colaborar em todos os grupos", poderiam eles ser rotulados de sectários, e por isso, de "falsos anarquistas"?
  3. Um anarquista rotular outros anarquistas como "falsos anarquistas", por si só, não seria uma demonstração de sectarismo, por não reconhecer que "seja cada tendência livre na execução do seu modo de entender a solução [para a trnasformação social]"?
  4. Consequentemente, a tese do autor não possui em si mesma uma contradição?

Por favor, deixe sua opinião nos comentários.

Bertrand Russell: até que ponto vai nosso controle consciente?

Bertrand Russel, "Por que os homens vão à guerra", Capítulo I: "O Princípio do Crescimento". Editora UNESP, 1ª edição (2014), São Paulo.
Bertrand Russell: idoso sem barba, de cabelo repartido, e terno.
2018 Anastasia Yesipova

Toda atividade humana jorra de duas fontes: impulso e desejo. O papel representado pelo desejo sempre foi bastante reconhecido. Quando os homens não se encontram totalmente satisfeitos e nem capazes de conseguir de imediato aquilo que vai lhes satisfazer, a imaginação lhes traz à mente a ideia de coisas que os fariam, acreditam eles, felizes. Todo desejo pressupõe um intervalo de tempo entre a consciência da necessidade e a oportunidade de satisfazê-la. Os atos inspirados pelo desejo podem até ser dolorosos, o tempo para se alcançar a satisfação pode ser muito longo, o objeto desejado pode ser algo que está fora de nossas próprias vidas e até mesmo depois de nossa própria morte. A vontade, força direcionadora, consiste, sobretudo, em perseguir desejos por objetos mais ou menos distantes, a despeito de toda a dor dos atos implicados e das solicitações de desejos e impulsos incompatíveis, mas ainda mais imediatos. [...]

Mas o desejo governa apenas uma parte da atividade humana -- e não se trata sequer da parte mais importante, mas tão somente da mais consciente, explícita e civilizada.

Na parte mais instintiva de nossa natureza, somos dominados por impulsos a certos tipos de atividade, e não por desejos de certos fins. Se as crianças correm e gritam, não é pelo bem que com isso esperam realizar, mas por causa de um impulso direto de correr e gritar. Se os cães uivam para a lua, não é por considerar que com isso obterão alguma vantagem, mas porque sentem um impulso de uivar. Não é um propósito, mas apenas um impulso o que induz ações tais como beber, comer, fazer amor, brigar e ostentar. [...] Os atos instintivos normalmente chegam a resultados agradáveis ao homem comum, mas não são executados a partir do desejo por esses resultados. São executados, sim, a partir do impulso direto, e o impulso quase sempre é intenso, mesmo nos casos em que não se chega ao resultado desejado. Os adultos gostam de pensar que são mais racionais que as crianças ou os cães e, inconscientemente, ocultam de si próprios o tamanho do papel desempenhado pelo impulso em suas vidas. Esse ocultamento inconsciente sempre segue certo plano geral.

Quando um impulso não é satisfeito no momento em que surge, cresce um desejo pelas consequências esperadas com sua satisfação. Se as consequências que foram esperadas com alguma sensatez acabam por se revelar nitidamente desagradáveis, nasce um conflito entre previsão e impulso. Se o impulso é fraco, a previsão pode dominar: é o que se chama de agir conforme a razão. Se o impulso é forte, ou a previsão será falseada e as consequências desagradáveis, esquecidas, ou as consequências serão, nos homens de compleição heroica, impetuosamente aceitas.

[...]

Mas tal força e ímpeto de impulso são raros. A maioria dos homens, quando o impulso é forte, consegue se convencer -- em geral por uma seletividade subconsciente da atenção -- de que a satisfação do impulso trará consequências agradáveis. Filosofias inteiras, sistemas de avaliação ética inteiros, se lançam por esse caminho: são a corporificação de um tipo de pensamento que é subserviente ao impulso e que procura fornecer uma base, racional apenas na aparência, para sua satisfação. O único pensamento genuíno é o que brota do impulso intelectual da curiosidade, levando ao desejo de saber e de compreender. Mas boa parte do que é tido como pensamento se inspira em algum impulso não-intelectual e é somente um meio de nos convencermos de que não vamos nos desapontar e nem fazer qualquer mal se satisfizermos o impulso.

Quando um impulso é reprimido, sentimos desconforto ou até mesmo dor violenta. Podemos satisfazer o impulso para escaparmos dessa dor e então, nesse caso, nossa ação tem um propósito. Mas a dor só existe por causa do impulso, e o impulso se direciona para um ato, e não para escapar da dor resultante de sua repressão. O impulso em si continua destituído de propósito, e o propósito de escapar da dor surge apenas quando o impulso é momentaneamente reprimido.

Muito mais do que o desejo, o impulso está na base de nossa atividade. O desejo tem seu lugar, mas não é um lugar tão grande quanto parece. Os impulsos trazem consigo toda uma série de desejos subservientes e fictícios: fazem que os homens tenham a sensação de que desejam os resultados da satisfação dos impulsos e de que agem para chegar a esses resultados, quando, na verdade, sua ação não tem outro motivo além de si mesma. Um homem pode escrever um livro ou pintar um quadro na crença de que deseja os elogios que daí virão. Mas, assim que termina, caso seu impulso criativo não esteja esgotado, ele vê que a obra que acabou de concluir se torna desinteressante a seus olhos e, então, começa um novo trabalho. O que se aplica à criação artística vale também para tudo o que é mais vital em nossas vidas: o que nos move é o impulso direto, e os desejos que julgamos ter não são mais que uma mera roupagem para o impulso.

O desejo, oposto ao impulso, tem, é verdade, uma parcela considerável e crescente na regulação da vida dos homens. O impulso é errático e anárquico, não se adapta facilmente a um sistema bem regulamentado; pode ser tolerado em crianças e artistas, mas não é tido por conveniente a homens que queiram se levar a sério. Quase todo trabalho remunerado é feito a partir do desejo, e não do impulso: o trabalho em si pode ser mais ou menos fastidioso, mas o pagamento é desejado. As atividades sérias que preenchem as horas de trabalho de um homem são, exceto para uns poucos indivíduos afortunados, dirigidas, sobretudo, pelos propósitos, e não pelos impulsos a essas atividades. Quase ninguém verá nisso um mal, pois não se reconhece o lugar do impulso em uma existência satisfatória.

Um impulso sempre parecerá loucura a quem dele não compartilha na realidade nem na imaginação. Todo impulso é essencialmente cego, no sentido de que não brota de nenhuma previsão de consequências. O homem que não compartilha do impulso formará uma estimativa diferente a respeito de quais serão as consequências e de quão desejáveis serão as que de fato venham a se realizar. Essa diferença de opinião parecerá ética ou intelectual, embora sua verdadeira base seja uma diferença de impulso. Nesses casos, não se chegará a nenhum acordo genuíno enquanto persistir a diferença de impulso. Em todos os homens de vida vigorosa há impulsos tão fortes que aos outros parecerão completamente desarrazoados. Impulsos cegos às vezes levam à destruição e à morte, mas, outras vezes, levam às melhores coisas que o mundo contém. O impulso cego é a fonte da guerra, mas também é a fonte da ciência, da arte e do amor. Não se deve desejar o enfraquecimento do impulso, mas seu direcionamento para a vida e para o crescimento, e não para a morte e a decadência.

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